Com ode ao Brasil, têm início os Jogos Olímpicos Rio 2016

RIO DE JANEIRO, 05 AGO (ANSA) - Uma ode ao Brasil. Assim pode ser resumida a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que levou ao Maracanã, templo máximo do futebol mundial, o melhor da música e da diversidade nacionais, tudo em meio a um show de tecnologia para contar a história do país desde suas origens.   


Gilberto Gil, com "Aquele abraço", abriu a festa no estádio carioca, ainda antes da contagem regressiva, entoada pela multidão e pela locutora em português. Em seguida, a grande ausência do evento: Michel Temer. Embora estivesse presente no Maracanã, o presidente interino não teve seu nome anunciado no microfone, como é de praxe em cerimônias do tipo. Antes da abertura, havia o temor de que o peemedebista pudesse ser vaiado pelo público, que em alguns momentos chegou a gritar "Fora, Temer!". Outra falta sentida foi a do jamaicano Usain Bolt, cuja ausência só foi comunicada minutos antes do evento, embora ele só vá competir na semana que vem.   


Depois da apresentação do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, Paulinho da Viola tocou o hino nacional brasileiro, em uma performance carregada de emoção. Do lado de fora do estádio, a polícia reprimia uma manifestação contra os Jogos com spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Na sequência do hasteamento da bandeira brasileira, o início da vida. Com muita beleza e tecnologia, os organizadores da cerimônia simularam um mar invadindo o Maracanã, enquanto o verde e os índios simbolizavam o "nascimento" daquilo que viria a ser o Brasil.   


Já a chegada portuguesa foi representada pelas caravelas, que deixavam um rastro branco sobre o verde das florestas nacionais.   


Também foi narrada a chegada dos africanos para trabalharem como escravos, uma das chagas da história nacional, e o Japão simbolizou a imigração dos séculos 19 e 20 - a Itália, que originou o maior movimento migratório internacional do Brasil, não apareceu. O verde, os campos e as lavouras então deram espaço para o surgimento das metrópoles, com seus prédios, suas buzinas e seu caos, antes de um dos momentos mais emocionantes: a decolagem de um avião 14 bis, criado por Santos Dumont.   


Aí começou o show da música brasileira. Daniel Jobim, neto de Tom Jobim, tocou em seu piano "Garota de Ipanema", entoada em uníssono pelo público. A canção serviu de trilha sonora para a estrela Gisele Bündchen, que abandonou a aposentadoria das passarelas e desfilou no Maracanã, recebendo os aplausos da multidão - até na Casa Itália, sede do país da bota durante os Jogos do Rio, houve festa para a entrada da modelo.   


Também houve espaço para Elza Soares, Zeca Pagodinho, Marcelo D2, Ludmilla, Jorge Ben, Karol Conká e MC Soffia, mostrando toda a variedade da música brasileira. Depois, a apresentadora Regina Casé fez um discurso pedindo respeito às diferenças. Os espectadores, que pagaram de R$ 200 a R$ 4,6 mil por um lugar na arquibancada, aplaudiram. Em seguida, a cerimônia deu lugar a um alerta sobre o aquecimento global e à narração de um poema de Carlos Drummond de Andrade, "A flor e a náusea", por Fernanda Montenegro. Depois da arte, foi a vez do esporte. Começando pela Grécia, as delegações dos mais de 200 países que competirão nos Jogos entraram uma a uma no palco do Maracanã.   


Por tradição, os gregos, que iniciaram o olimpismo, são sempre os primeiros da fila. A Alemanha, autora do 7 a 1, foi bastante aplaudida pelo público, enquanto os argentinos ouviram algumas vaias. Já a Espanha, do porta-bandeira Rafael Nadal, e os Estados Unidos, guiados por Michael Phelps, também foram aclamados. Assim como a Itália, cuja bandeira foi levada ao Maracanã pelas mãos vitoriosas da nadadora Federica Pellegrini, justamente no dia de seu aniversário de 28 anos. Na tribuna, o primeiro-ministro Matteo Renzi e sua esposa, Agnese Landini, aplaudiam a principal atleta da azzurra na atualidade.   


No entanto, as duas delegações mais celebradas foram, nesta ordem, a do time olímpico de refugiados, que inclui sírios, congoleses, etíopes e sul-sudaneses, e, obviamente, a brasileira, que, puxada por Yane Marques, desfilou ao som de "Aquarela do Brasil".   


"Damos boas-vindas a vocês no Rio. Estamos aqui para entregar história. O melhor lugar do mundo é aqui, agora", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).   


Assim como o chefe do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, ele não citou o nome de Michel Temer. Em seguida, Kip Keino, medalhista de ouro em 1968 e 1972 no atletismo, foi homenageado por Bach e entrou correndo no Maracanã para receber seu prêmio. Após a homenagem, Michel Temer deu as caras e declarou abertos os Jogos Olímpicos do Rio, recebendo sonoras vaias do público.   


No fim da cerimônia, Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram uma breve apresentação ao lado de Anitta, antes do momento mais aguardado, o acendimento da pira olímpica. O suspense sobre o responsável por levar a tocha no Maracanã permaneceu até os últimos segundos. O ex-tenista Gustavo Kuerten entrou com ela no estádio e a entregou para Hortência. Por sua vez, a ex-jogadora de basquete a deu nas mãos de Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze em Atenas 2004, quando foi empurrado por um irlandês, e vencedor do prêmio Pierre de Coubertin.   


Coube ao ex-atleta a honra de, sob os aplausos do público, no estádio mais famoso do planeta, acender a chama daquela que promete ser a melhor edição de Jogos Olímpicos de todos os tempos. (ANSA)
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