Macri é criticado ao evitar falar sobre vítimas da ditadura

BUENOS AIRES, 11 AGO (ANSA) - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, causou polêmica ao se negar a comentar sobre o número de vítimas da ditadura no país (1976-1983), um assunto bastante delicado no país.   

"Este é um debate no qual não vou entrar", disse o presidente em entrevista ao site "BuzzFeed" realizada na residência oficial de Olivos.   

"Não sei se foram 9 mil ou 30 mil, se são os que estão anotados em um muro [referindo-se ao memorial que homenageia as vítimas da ditadura] ou muitos mais. Me parece uma discussão sem sentido".   

Ele, no entanto, classificou o episódio como "uma horrível tragédia, a pior de nossa história", que "não passa por um número".   

A líder da Associação das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, com quem Macri não tem boas relações, disse, em entrevista a uma rádio local, que, como presidente, ele tem o dever de saber o número de vítimas da ditadura.   

Organizações de Direitos Humanos defendem que mais de 30 mil pessoas desapareceram durante a ditadura considerada mais violenta da América do Sul. Em janeiro, o secretário de Cultura de Buenos Aires e aliado de Macri, Darío Lopérfido, perdeu o cargo após causar polêmica ao colocar em dúvida o número real de vítimas. "Não houve 30 mil desaparecidos na Argentina. Esse número foi acertado em uma mesa", disse em entrevista, levantando críticas, especialmente da Associação Avós da Praça de Maio. Lopérfido usou como base uma pesquisa de Graciela Fernández Meijide, uma conhecida militante política e mãe de um desaparecido, que diz que o número de vítimas seria de aproximadamente 9 mil. A cifra coincide com um número dado pelo ex-ditador Jorge Rafael Videla, que falava em 8 mil mortos.   

(ANSA)
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