Após polêmicas nos Jogos, juízes de boxe são afastados

RIO DE JANEIRO, 18 AGO (ANSA) - A Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba) anunciou nesta quarta-feira (17) que alguns dos árbitros que atuaram durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro serão suspensos após algumas decisões polêmicas que definiram o destino dos pugilistas na competição.   


"Na sequência de alguns veredictos e após ter realizado um exame profundo por parte de nossa Comissão, decidimos tomar ações imediatas e apropriadas. Desde o início dos Jogos Olímpicos, a Aiba geriu 239 lutas. A Comissão de Árbitros e Juízes examinaram todas as decisões e determinaram que alguns veredictos não estavam no nível esperado", disse a entidade em nota.   


Porém, mesmo reconhecendo que algumas decisões não foram adequadas, a organização anunciou que "os resultados de todos os confrontos não serão modificados".   


Entre as principais decisões polêmicas, está a luta entre o russo Evgeny Tishchenko e o cazaque Vasily Levit, que disputaram a medalha de ouro na categoria peso pesado (91 kg). Apesar da vitória do atleta da Rússia, analistas afirmam que o cazaque era quem deveria ter levado a medalha - e o público presente no local também, já que vaiou quando o Tishchenko foi anunciado o vencedor.   


Quem também reclamou muito da arbitragem foi o italiano Clemente Russo após sua derrota, justamente, para Tishchenko - que também causou vaias do público presente. "Vocês viram o que aconteceu? Hoje até quem não entende de boxe viu que eu venci. No segundo round, eu consegui encaixar entre sete e 10 golpes e ele encostou em mim só de raspão", disse irritado o italiano após a luta.   


O técnico da seleção italiana de boxe olímpico, Francesco Damiani, corroborou com a teoria de Russo. "Para Clemente, eu digo todas as vezes o quanto ele foi bravo, fez uma luta magnífica. O que aconteceu hoje foi um roubo, um autêntico escândalo. Esses senhores [juízes] devem todos ir para a casa porque foi uma vergonha", afirmou o técnico.   


Outro confronto que foi considerado com resultado "estranho" foi a luta entre o irlandês Michael Conlan e o russo Vladimir Nikitin. O atleta da Rússia foi vencedor por unanimidade, mas especialistas em boxe olímpico afirmam que Conlan venceu com folga a disputa.   


A mídia internacional chegou a levantar a hipótese de corrupção durante os Jogos Olímpicos e vários especialistas pediram para que o boxe olímpico fosse tirado da competição.   


"Sobre a corrupção, queremos rechaçar com força se não houver provas concretas e forem apenas boatos. Continuaremos a usar todos os meios, incluídas as ações legais ou disciplinares, para proteger o nosso esporte e a comunidade de juízes e árbitros dos quais a integridade sempre é colocada em discussão. A Aiba não encoraja avaliações subjetivas das partes que se sintam insatisfeitas com os resultados", escreveu ainda entidade na nota.   


Muitas das reclamações ainda vem pelo fato da mudança nas regras da competição para esta edição das Olimpíadas. Para aproximar mais o boxe olímpico do profissional, o sistema de pontos não é feito da mesma maneira de outros Jogos.   


Antes, o público acompanhava em tempo real a pontuação de cada pugilista. Agora, a pontuação é feita por cinco jurados e, através de um sorteio computadorizado, sobram três jurados para definir o resultado de cada round. (ANSA)
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