'Eu chorava, mas Omran não', disse fotógrafo de menino sírio

BEIRUTE, 19 AGO (ANSA) - O menino sírio Omran Daqneesh, cujas imagens de seu resgate após um bombardeio em Aleppo chocaram o mundo, não pronunciou uma palavra e nem chorou durante o ataque, de acordo com o fotógrafo de guerra Mahmoud Ruslan, que registrou a imagem.   

O olhar frio da criança de 5 anos e o espanto que aparecia em seu rosto fizeram o próprio fotógrafo chorar, apesar da experiência em coberturas de conflitos armados. "Espero que todas as fotos de crianças e de bombardeios na Síria sejam virais na web, para que o mundo saiba o que significa viver aqui", disse Ruslan. O fotojornalista estava a 300 metros do bombardeio que atingiu a casa de Omran. "A primeira coisa que vi foram três corpos estendidos no solo. Eram os vizinhos do menino. Os seis andares do imóvel eram apenas poeira e escombros. Logo depois, vi outra casa destruída, que era a de Omran".   

Os bombeiros, os agentes das Nações Unidas e o próprio fotógrafo agiram para resgatar os feridos e o primeiro sobrevivente encontrado foi o menino. "Minhas lágrimas começaram a cair quando tirei a primeira foto.   

Não é a primeira vez que eu choro, já aconteceu muitas vezes quando fotografei crianças traumatizadas. Os fotógrados de guerra choram frequentemente", admitiu. "Mas Omran me afetou muito porque ele estava em silêncio, não chorava, não dizia uma palavra. Estava em choque. Lembrei da minha filha de sete anos, poderia ser ela. Poderia ser qualquer criança de Aleppo ou de toda Síria", contou o jornalista. A família do menino sírio conseguiu sobreviver ao bombardeio.   

Sua mãe sofreu apenas feridas em uma perna e, seu pai, na cabeça. Sua irmã de 7 anos precisou passar por uma cirurgia, mas já está bem. "Hoje eu acordei e vi que o mundo todo usou essa foto e falou dela. Isto é bom para as pessoas verem as coisas. Talvez a guerra termine e Orman e minha filha, Amal, possam ter uma vida normal, como todas as outras crianças do mundo", pediu.   

A imagem de Omran sentado dentro de uma ambulância, com o rosto ensanguentado, foi divulgada por ativistas opositores ao regime sírio, do presidente Bashar al-Assad. A cidade de Aleppo é o exemplo do que acontece em toda a Síria desde 2011, quando rebeldes foram inspirados pela Primavera Árabe e começaram a lutar contra Assad. Atualmente, vários grupos rebeldes e extremistas combatem entre si e contra o governo. Além disso, a organização Estado Islâmico (EI) aproveita a situação para conquistar territórios na Síria e criar um califado. Forças internacionais também bombardeiam a Síria para conter o avanço do EI. Recentemente, a Rússia enviou soldados para ajudar Assad a lutar contra o EI e contra os rebeldes. Moscou, no entanto, negou que tenha participado do ataque aéreo que atingiu a casa de Omran.   

Em setembro de 2015, a foto de outro menino sírio, Aylan, estampou os jornais. A criança foi encontrada morta em uma praia da Turquia, na tentativa de cruzar o Mediterrâneo para buscar refúgio na Europa. (ANSA)
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