Sul-africana intersexual ganha 800m e reascende polêmica

SÃO PAULO, 20 AGO (ANSA) - Com facilidade, a sul-africana Caster Semenya conseguiu vencer a prova de 800 m feminina na noite deste sábado, dia 20, no Engenhão, com um tempo impressionante de 1:55.28. No entanto, a vitória da atleta é mais complexa do que parece.   


Há alguns anos, Semenya protagonizou uma polêmica: a de que atletas intersexuais devem ou não competir profissionalmente. O caso tomou notoriedade durante o Mundial de Atletismo de Berlim de 2009, quando, na época com apenas 18 anos, a sul-africana impressionou o mundo ao fazer uma marca incrível nos 800 metros, deixando todas as outras competidoras para trás.   


O desempenho tão bom e incomum para uma mulher de sua idade fez com que teorias de doping surgissem. No entanto, após inúmeros testes e exames, descobriu-se que Semenya era uma atleta intersexual, ou seja, quando uma pessoa possui variações em algumas características corporais que diferenciam homens e mulheres geneticamente. Para a atleta, seu corpo produz um nível de testosterona e de outros hormônios masculinos muito mais elevado do que da maioria das mulheres, o que é chamado hiperandrogenismo. A descoberta fez com que a sul-africana ficasse no centro das atrações além de sofrer com preconceito pelo seu corpo ser mais masculino. Manchetes de jornais perguntavam se ela era homem ou mulher e se devia realmente concorrer em competições. A partir desse momento, a Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf) afirmou que a condição de Semenya e de outras atletas na mesma situação deveria ser considerada como uma vantagem injusta em relação às demais competidoras. Sendo assim, a associação decidiu que todas as atletas intersexuais com hiperandrogenismo poderiam competir, mas com um tratamento que diminuísse o nível de testosterona abaixo do permitido. Com essa medida, os tempos da sul-africana nas corridas ficaram piores. No entanto, uma outra atleta intersexual, a indiana Dutee Chand, apresentou um recurso contra o regulamento da Iaaf. Os argumentos de Chand foram aceitos pelo Tribunal de Arbitragem Esportivo (TAS) e a medida agora está suspensa até julho de 2017, permitindo com que Semenya competisse na Rio 2016 sem os medicamentos. (ANSA)
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