Jihadista admite culpa por destruição de templos em Timbuktu

HAIA, 22 AGO (ANSA) - O jihadista Ahmad al-Faqi al-Mahdi compareceu nesta segunda-feira (22) à Corte Penal Internacional de Haia e confessou sua culpa na destruição de 14 mausoléus e de uma mesquita na cidade de Timbuktu, no Mali.   

É a primeira vez na história que uma pessoa é julgada no tribunal por crimes de guerra ao destruir patrimônios da humanidade tombados pela Unesco. Mahdi foi entregue a Haia pelo Níger, após a própria corte ter emitido um mandado de prisão contra ele.   

O processo começou nesta segunda, e o jihadista admitiu sua culpa, "com profundo arrependimento e grande dor". Os monumentos foram destruídos durante a ocupação realizada pela milícia islâmica Ansar Dine, ligada à Al Qaeda, no norte do Mali em 2012.   

Com um fuzil kalashnikov nas mãos, Mahdi dava ordens para extremistas, armados com picaretas e machados, reduzirem a pó monumentos de pedra, areia e madeira da antiga Timbuktu. Foram derrubados mausoléus e mesquitas de uma época quando a cidade era um dos grandes centros do Islã medieval. Além disso, vários manuscritos desapareceram.   

Timbuktu só foi retomada um ano mais tarde, após uma intervenção militar da França. "Esse processo na Corte Penal Internacional inaugura uma era importante. Pela primeira vez, o responsável pela devastação de sítios da Unesco é chamado a responder por um crime de guerra que atinge a identidade e a alma de um povo e destrói um bem de toda a humanidade", declarou o ministro dos Bens Culturais da Itália, Dario Franceschini.   

O país europeu lidera o ranking de nações com o maior número de monumentos tombados pelo órgão das Nações Unidas. O julgamento de Mahdi pode ainda abrir jurisprudência para levar ao banco dos réus membros do Estado Islâmico (EI) envolvidos na destruição de bens da humanidade, como o sítio arqueológico de Palmira, na Síria.   

"Isso não leva nenhum benefício para a humanidade", admitiu Mahdi, que pode ser condenado a até 30 anos de prisão. Contudo, sua confissão pode reduzir a pena para 11 anos. (ANSA)
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