Italianos relatam à ANSA pânico por terremoto

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 24 AGO (ANSA) - Às 3h36, o silêncio absoluto de uma cidade com 2,6 mil habitantes é interrompido por um estrondo. Vitrines se estilhaçam, cachorros começam a latir.   

Por alguns segundos, as casas tremem. As mais novas resistem, porém as mais velhas vão ao chão. Tudo fica escuro.   

Assim foi o terremoto de 6 graus na escala Richter que atingiu a cidade de Amatrice na madrugada desta quarta-feira (24). Lar do molho matriciana e repleto de turistas para um festival dedicado à receita que seria realizado no próximo fim de semana, o município foi devastado pelo tremor e ainda luta para contar seus mortos.   

Renzo Di Giacinto, 60 anos, estava em Roma no momento do sismo, mas sua irmã tem uma casa em Amatrice e vivenciou de perto o desastre. "Ela estava dormindo, aí teve um grande rugido. A casa tremeu por alguns segundos, mas ela é antissísmica e não sofreu nenhum dano", contou, em entrevista à ANSA Brasil.   

Ainda assim, sua irmã escapou rapidamente da residência, em meio ao blecaute causado pelo desastre natural, pegou um carro e seguiu para Áquila - destruída por um tremor em 2009 - pela estrada situada no lado oposto de onde foram registrados os maiores problemas. De lá, tomou a rodovia para Roma.   

Segundo Di Giacinto, uma lei obriga as novas construções em Amatrice a terem proteção contra terremotos, mas as antigas - a maioria - continuam vulneráveis. "A cidade está verdadeiramente destruída, é uma cidade renascentista, do século 14", acrescenta.   

Inclusive, duas igrejas medievais, as de San Francesco e Sant'Agostino, foram severamente danificadas, assim como o Museo Civico, que entrou em colapso. Outro lugar histórico que desabou foi o Hotel Roma, situado no centro do município e célebre pelo espaguete à matriciana.   

"Muitos helicópteros estavam sobrevoando a cidade. Sábado seria o Festival do Espaguete, então havia muitos turistas", acrescenta Di Giacinto.   

Úmbria - Com seu epicentro no Lazio, o terremoto foi sentido também na vizinha Úmbria. Em Foligno, a 110 km de Amatrice, Marta Pacini, 32 anos, relata que sentiu o primeiro tremor, o das 3h36, "muito forte". "Primeiro foi um estrondo horrível, que entra em você, depois uma chacoalhada muito forte. Parecia ter durado três horas, mas levou só alguns segundos", diz.   

Assim como nas outras cidades afetadas, todos foram às ruas, mas havia luz elétrica e poucos danos, então a situação logo se tranquilizou. No entanto, o sismo reavivou medos antigos. Em 1997, um terremoto de 6,1 graus nas regiões de Úmbria e Marcas matou 11 pessoas e avariou 80 mil casas, principalmente em Foligno.   

Segundo Marta, naquele tremor houve mais comunicação entre as pessoas e as notícias chegaram mais rapidamente. No desta quarta-feira, os cidadãos ficaram sem informações exatas durante algum tempo, com exceção daquelas disseminadas nas redes sociais.   

"Mas agora está tranquilo. Por sorte, não há muitos danos", salienta. (ANSA)
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