Governo da Itália é criticado após campanha de fertilidade

ROMA, 01 SET (ANSA) - O governo da Itália foi duramente criticado por conta da campanha lançada para o "Dia da Fertilidade", que será realizado em 22 de setembro para alertar a população sobre os baixos índices de natalidade no país.   

O Ministério da Saúde divulgou nas redes sociais uma série de mensagens ressaltando a importância da gravidez, mas foi acusado de colocar uma pressão excessiva sobre as mulheres para que elas tenham filhos o mais rapidamente possível.   

Em uma delas, uma jovem aparece com uma ampulheta na mão, ao lado do slogan "A beleza não tem idade. A fertilidade, sim".   

"Proteja a sua fertilidade. Por você. Por nós. Por todos", diz outra. O escritor Roberto Saviano, autor de "Gomorra", escreveu um post no Facebook atacando a campanha.   

"A fertilidade é uma característica física individual. O Ministério da Saúde deveria fazer pesquisas e tornar acessível a reprodução aos casais afetados pela esterilidade, ao invés de convidar genericamente a fazer filhos", disse.   

Esse será o primeiro "Dia da Fertilidade" na Itália, mas a iniciativa já é promovida em muitos países desenvolvidos, só que geralmente com o intuito de ajudar casais inférteis. A península possui a taxa de natalidade mais baixa da União Europeia, com oito nascimentos para cada mil habitantes.   

"Para promover os nascimentos, o governo deve ajudar os tantos casais que gostariam de ter um filho, mas não o fazem porque não teriam como mantê-lo, enviá-lo a uma creche, educá-lo", criticou o presidente da região do Vêneto, Luca Zaia.   

Com a má repercussão da iniciativa, a ministra da Saúde Beatrice Lorenzin anunciou no Twitter que fará uma nova campanha, mas não se rendeu completamente. "O Dia da Fertilidade é mais que dois cartazes. É prevenção, é a saúde dos italianos", afirmou.   

A mesma Lorenzin é defensora de algumas restrições que a legislação italiana ainda impõe à reprodução assistida, como o acesso a tratamentos de fertilização para solteiros e casais homossexuais e o uso da "barriga de aluguel" ou "solidária", aberturas que poderiam melhorar a taxa de natalidade na Itália.   

(ANSA)
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