Roma vive dia caótico com demissão de 5 membros do governo

ROMA, 1 SET (ANSA) - A apenas 70 dias de sua eleição, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, enfrenta sua primeira grande crise administrativa com a demissão de cinco membros de seu governo em menos de 12 horas.   

Anunciaram a saída de seus cargos a chefe de Gabinete, Carla Ranieri, o assessor de Finanças, Marcello Minenna, o diretor-geral da Atac (agência de transporte público de Roma), Marco Rettighieri, e o CEO da entidade, Armando Brandolese, e o CEO da Ama (empresa pública que gerencia a coleta de lixo), Alessandro Solidoro - nomeado há menos de uma semana.   

Tudo começou após Raggi postar em sua conta no Facebook, por volta das 5h da manhã (hora local), que iria demitir Ranieri em nome da "transparência". Segundo a líder política da "cidade eterna", a decisão havia sido tomada após um parecer da Autoridade Nacional Anticorrupção (Anac) apontar suspeitas sobre o nome da servidora. Mas, a chefe de Gabinete pediu demissão antes mesmo da exoneração.   

Os outros quatro nomes acabaram saindo ou por apoiar Ranieri ou por não concordar com a maneira com que Raggi lidou com a situação. Após a demissão em massa, a prefeita se reuniu com os remanescentes do governo para avaliar possíveis substitutos.   

"Estamos trabalhando para encontrar as personalidades importantes que podem contribuir com a retomada da cidade. Não vamos parar", disse Raggi aos seus funcionários.   

Ranieri era a terceira pessoa escolhida para ser a chefe de Gabinete. O primeiro nomeado foi Daniele Frongia, braço-direito de Raggi, que acabou assumindo o posto de vice-prefeito. Depois dele, foi escolhida Daniela Morgante, juíza da Corte de Contas e que havia atuado no governo do ex-prefeito Ignazio Marino.   

Porém, seu nome foi rejeitado por votação de seu partido, o Movimento 5 Estrelas (M5S).   

A atual chefe foi escolhida por ter experiência na área, já que ajudou no governo provisório do comissário Francesco Paolo Tronca, que assumiu após a destituição de Marino. Agora, o quarto nome será indicado para a vaga em menos de três meses.   

Durante sua campanha eleitoral, Raggi prometeu "transparência" e um governo voltado para tirar Roma do meio do caos que se instituiu no ano passado por causa de um esquema mafioso infiltrado no governo público. Apesar de não ter sido envolvido no escândalo, Marino perdeu apoio de seu partido, o Partido Democrático (PD) e a capital italiana ficou nas mãos de um comissário.   

Nas eleições, Raggi causou uma das maiores derrotas políticas ao PD - do primeiro-ministro Matteo Renzi - e venceu o pleito com folga. Porém, desde que assumiu, a prefeita enfrenta grandes problemas.   

Até mesmo pela "rivalidade" existente entre o M5S, o maior partido de oposição à Renzi, e o PD, as demissões de hoje acirraram ainda mais os ânimos.   

"Uma transparência só anunciada. A prefeita Raggi é prisioneira das correntes que causam confrontos que desestabilizam toda a administração", disse a líder do PD na Câmara da capital, Michela di Biase. Já o deputado Michele Anzaldi postou em sua conta de Twitter "que erro para Raggi não ser transparente como anunciou antes da eleição da Junta e do chefe de gabinete. A conta quem paga é a cidade".   

Já Renzi não quis entrar na polêmica e manteve um tom de diplomacia. "Respeito o trabalho da prefeita. Foi ela quem venceu, à ela as honras e o ônus. Quem vence tem a responsabilidade de governar", ressaltou o premier. (ANSA)
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