Um ano após morte de Aylan, Mediterrâneo ainda faz vítimas

ISTAMBUL, 2 SET (ANSA) - Um ano atrás o mundo se chocava com a imagem de um menino sírio de três anos encontrado morto na costa da Turquia enquanto sua família tentava chegar à Europa. A foto do pequeno Aylan Kurdi se tornou símbolo das crueldades do conflito na Síria, que já dura mais de cinco anos, e da difícil trajetória dos imigrantes que tentam deixar o Oriente Médio.   

O pai da criança, Abdullah Kurdi, que ainda perdeu a esposa e outro filho, Galip, de cinco anos, durante a travessia, lamentou que o cenário não tenha mudado desde então e que muitos imigrantes continuem sendo vítimas de tragédias similares.   

"Após a morte da minha família, os políticos disserem: Nunca mais! Mas o que acontece agora? As mortes continuam e ninguém faz nada", declarou.   

A família tentava chegar à Europa atravessando da Turquia em direção à Grécia e de lá partir para o Canadá, onde tinham parentes morando. No naufrágio, além da família Kurdi, faleceram outras nove pessoas.   

Sem condições, muitos imigrantes e refugiados apelam para traficantes de humanos para tentar uma vida melhor fora de regiões atingidas por crises econômicas ou conflitos. Nas perigosas travessias, dezenas de pessoas são colocadas em frágeis embarcações que, não raro, acabam naufragando.   

Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 4 mil pessoas já morreram no Mar Mediterrâneo após o falecimento de Aylan, uma média de 11 pessoas por dia.   

De acordo com a ONG "Save the Children", 423 menores faleceram neste mesmo período.   

A foto de Aylan foi divulgada em um momento em que a Europa sofre seu maior fluxo migratório desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Além da Grécia, a Itália e a Espanha são portas de entrada para imigrantes devido à proximidade com o Mar Mediterrâneo e à curta distância com países do norte da África que são palcos de conflitos, como Tunísia, Líbia e Egito. A Guarda Costeira italiana resgatou 6,5 mil imigrantes somente na última segunda-feira (29) no Canal da Sicília, no Mar Mediterrâneo. Este é o maior número registrado de resgates em um único dia. (ANSA)
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