Confira os principais temas que serão debatidos no G20

SÃO PAULO, 3 SET (ANSA) - Os líderes dos 20 países com maior PIB se reunirão a partir deste domingo (2), na cidade chinesa de Hangzhou, para debater os desafios ao crescimento econômico. A reunião na China será a 11ª desde a criação do G20.   

Os encontros foram iniciados em 1999 e reúnem os líderes da África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e a União Europeia. Além dessas nações, alguns países serão convidados. Também participam representantes das Nações Unidas (ONU), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Financial Stability Board (FSB), o Organização Mundial do Trabalho e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).   

Confira os principais debates que devem ocorrer durante as reuniões do G20: 1. Meio-ambiente: Apesar de ser um meeting econômico, os temas relacionados ao meio-ambiente devem roubar a cena. Isso porque essa será a primeira vez que um encontro do G20 começará com quatro grandes pactos pela preservação da natureza e pela redução da emissão de poluentes já assinados. Os dois principais deles, a Agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030 e o Acordo de Paris, têm o aval dos países mais poluidores do mundo: Estados Unidos e China. Especialmente por ser seu último ano à frente do comando dos norte-americanos, o presidente Barack Obama deve fazer uma defesa muito profunda para que todos cumpram as metas estabelecidas e evitem os efeitos do aquecimento global.   

2. Retomada do crescimento mundial: Apesar de estimativas do FMI de que a economia global crescerá cerca de 3% em 2016, a retomada econômica em várias partes do globo está seriamente ameaçada. A Europa sofre para manter bons indíces econômicos e para sair da recessão iniciada em 2008, enquanto a América Latina vê sua maior economia, o Brasil, ter dados negativos pelo segundo ano consecutivo. Já a China, que cresceu acima dos 7% nos últimos anos, vê sua economia enfraquecer e deve registrar uma queda de 1% em seu Produto Interno Bruto (PIB) até o fim de 2016.   

3. Imigração: A crise imigratória que atinge a Europa e a Turquia afeta, diretamente, o equilíbrio da economia é abalado.   

Por um lado, muitos países veem sua economia enfraquecer pela falta de mão de obra, por outro, as nações que recebem os estrangeiros aumentam seus gastos. O tema deve estar muito ligado ao quarto ponto dessa lista.   

4. Guerras e terrorismo: Se as guerras movimentam a economia bélica, também provocam investimentos de bilhões e bilhões de dólares em nações conflituosas. Além disso, o custo humano é extremamente elevado. Com a quantidade de conflitos simultâneos ocorrendo no mundo - seja na luta contra grupos extremistas como o Estado Islâmico ou em conflitos regionais menores - será preciso debater alternativas para encontrar a paz.   

5. Combate à corrupção: Desde que assumiu o poder, o presidente da China, Xi Jinping, vem fazendo um forte combate à corrupção em seu país. Seja dentro das estruturas estatais ou contra políticos que já deixaram seus cargos, o mandatário está fazendo uma "limpeza" após dezenas de denúncia.   

Para o G20, os anfitriões apresentarão um plano em três frentes que sugere uma maior troca de informações sobre casos envolvendo fraudes, lavagem de dinheiro e demais crimes financeiros. Se conseguir inserir o tema como deseja, os chineses colocam-se como líderes globais no combate aos crimes financeiros.   

Um ponto positivo para Xi Jinping é que a Casa Branca confirmou que Obama irá debater as questões referentes à evasão fiscal após uma punição de cerca de 13 bilhões de euros à gigante norte-americana Apple pela União Europeia. No caso, a empresa foi acusada de fazer um acordo com a Irlanda para pegar menos impostos na Europa.   

6. Brexit e Livre-comércio: No primeiro grande encontro mundial após a decisão do Reino Unido em deixar a União Europeia, o chamado "Brexit", o tema de livre-comércio será debatido de maneira mais intensa. De acordo com estudos do Comitê de Pesquisa Econômica do próprio G20, nos últimos oito meses, os governos que participam da reunião implementaram cerca de 350 medidas de proteção de mercados.   

O temor de um "retrocesso" na globalização também se aplica ao fato dos EUA estarem em campanha eleitoral com o representante republicano, o magnata Donald Trump, ameaçando impor barreiras comerciais e revisar acordos internacionais de comércio. Nesse quesito, especialmente, os chineses trabalharão com afinco para continuar conquistando espaço no mercado internacional. (ANSA)
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