Estado Islâmico tinha outros alvos em atentado em Paris

SÃO PAULO, 5 SET (ANSA) - Os atentados do dia 13 de novembro de 2015 em Paris, que mataram 130 pessoas e aumentaram a preocupação do país e de outras nações europeias em relação ao terrorismo, principalmente do Estado Islâmico (EI, ex-Isis), deveriam ter sido bem maiores e com mais vítimas, afirmou a emissora de televisão "CNN" nesta segunda-feira (5).   

De acordo com mais de 90 mil páginas de documentos aos quais a rede norte-americana teve acesso, o grupo terrorista pretendia realizar atentados em outros locais na capital francesa e até em outros países em novembro.   

Sendo assim, além dos ataques perto do Stade du France, dos restaurantes e bares do 11º arrondissement e da casa de shows Bataclan, os terroristas ainda haviam planejado atentados em shoppings centers, em um supermercado da capital francesa e em outros alvos na Holanda. O EI também estaria se infiltrando na Inglaterra.   

Além disso, os documentos falam da dupla Abel Haddadi e Muhammad Usman, o primeiro argelino e o segundo paquistanês, que deveriam ter participado dos ataques de Paris de novembro.   

Segundo a análise feita pela "CNN", os dois teriam partido da Síria e ido até a Áustria. Com passaportes falsos sírios, Hadaddi e Usnam percorreram a Grécia, onde ficaram detidos por cerca de um mês, a Macedônia, a Sérvia, a Croácia e a Eslovênia.   

Com o atraso causado pela prisão, a dulpa conseguiu chegar a Salzburgo, na Áustria, em 14 de novembro, um dia após os atentados, e foi presa novamente em 10 de dezembro. Junto a eles, também estaria um terceiro homem, identificado nos documentos como Abid Tabaouni, que só foi detido em julho deste ano.   

Nas mais de 90 mil páginas lidas, entre troca de informações entre terroristas no Telegram, WhatsApp e Viber, interrogatórios e dados de celulares também descobriu-se a forma a qual os jihadistas se contactavam com os membros mais altos do EI na Síria.   

Sobre isso, os métodos eram bem sofisticados: as conversas eram realizadas através de redes sociais criptografadas, os terroristas sempre usavam pseudônimos, nomes falsos ou apelidos durante as viagens na Europa e se diziam refugiados, as etapas futuras do plano nunca eram contadas para os jihadistas e o dinheiro transferido para eles era apenas para a fase do plano na qual os terroristas se encontravam. (ANSA)
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