Santos pede apoio em referendo sobre acordo de paz com Farc

BOGOTÁ, 5 SET (ANSA) - Dias após anunciar a data da assinatura do acordo de paz com as Farc, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a colaboração da elite do país no processo, que passará por aprovação popular, especialmente diante da campanha de seu opositor, o ex-líder Álvaro Uribe, para barrar a medida.   

"Não entendo como meus companheiros de elite - porque pertenço a ela, sou membro dos clubes mais exclusivos da capital -, se deixam desinformar sobre os benefícios da paz", disse, em entrevista ao jornal espanhol "El País".   

Santos ainda disse se sentir triste de pensar que "exista gente que, depois de ter a informação, não entenda a importância de dar este passo para deixar para todos os nossos filhos um país mais tranquilo".   

Um acordo de paz será assinado no próximo dia 26 na cidade de Cartagena de Índias após mais de três anos de negociações, dando fim a cerca de meio século de conflitos armados no país.   

Ao anunciar a assinatura, na semana passada, Santos não explicou o motivo de ter escolhido a cidade ao invés da capital, Bogotá, ou outras localidades importantes como Medellin ou Cali.   

A imprensa local especula que a razão seja a proximidade de Cuba, onde se desenrolaram as negociações desde o final de 2012.   

A presença do líder cubano, Raul Castro, é esperada na cerimônia de assinatura e uma viagem até Bogotá seria mais difícil de realizar.   

Também devem estar presentes os presidentes de Chile, Michelle Bachelet, e da Venezuela, Nicolás Maduro, cujos países atuaram como mediadores do diálogo. Seis dias após a assinatura do acordo de paz, os colombianos irão às urnas para decidir, em referendo, se aprovam os termos do fim do conflito. Sondagens recentes revelam a liderança do "Sim". Consciente de que o seu antecessor, o opositor Álvaro Uribe, tem a intenção de fazer campanha a favor da abstenção, Santos conseguiu aprovar como quórum mínimo para que a decisão seja válida 13% dos eleitores ou 4,4 milhões dos colombianos. As negociações entre militantes das Farc e as autoridades de Bogotá tiveram início em 2012. Com a aprovação, chega ao fim um conflito armado de mais de 50 anos na Colômbia, que já deixou mais de 220 mil pessoas mortas, 50 mil desaparecidas e 6 milhões de deslocados. (ANSA)
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