DNA de italianos revela marcas da evolução do país

ROMA, 15 SET (ANSA) - Um estudo recentemente publicado na revista "Scientific Reports" revelou que o DNA do italiano se distingue muito dependendo da região do país onde ele vive. A pesquisa foi coordenada pelo grupo de Antropolia Molecular e Adaptação Humana do departamento de Ciência Biológica Geológica e Ambiental (BiGea), da Universidade de Bolonha.   


A Itália carrega uma longa história da mistura de outras nacionalidades em sua cultura e população. O país da bota, que já abrigou muitos povos diferentes, tem também regiões geográficas com condições climáticas bem dinstintas entre si.   


Ao analisar o DNA de 800 indivíduos provenientes de 20 províncias da Itália, obtendo mais de 500 mil variações genéticas distribuídas em seu genomas, os pesquisadores foram capazes de identificar vestígios complexos da história demográfica e também da adaptação ao ambiente da nação.   


"O estudo evidenciou uma elevada heterogeneidade no patrimônio genético dos italianos. Entretanto, os perfis genéticos observados vão mudando gradativamente, do norte ao sul. É possível separar grupos homogêneos de províncias que são próximas, como a Sardenha, o norte italiano e a região meridional porque os habitantes dessas regiões são muito semelhantes entre si, do ponto de vista genético, mas se destacam em respeito aqueles dos outros grupos", explicou Marco Sazzini, pesquisador da BiGea. As variedades genéticas em relação à distribuição geográfica são atribuídas, principalmente, ao grande fluxo histórico de imigração. Em particular, os resultados sugeriram que parte da população vivem no norte da Itália acrescentou aos próprios genes características dos grupos que vieram da Europa Oriental no final da Idade do Bronze e no início da expansão do Império Romano. Já os italianos da região central e meridional, herdaram a genética do Oriente Médio e do norte da África. De fato, houve um considerável fluxo imigratório nessas regiões do Mediterrâneo que se mantiveram no centro do território até a expansão do Império Bizantino. Na região central, intensificou-se mais ainda a presença dos africanos por conta da ocupação árabe da Sicília.   


Descobriu-se também que os mecanismos evolutivos e de adaptação ao meio ambiente podem ter moldado a grande diferença da suscetibilidade à determinadas doenças. Por exemplo, o norte da Itália está sujeito a invernos muito frios. Em uma época sem as mesmas condições de hoje, as pessoas adotavam uma dieta mais calórica e gordurosa para sobreviver.   


Por isso, a seleção natural favoreceu a proliferação de variantes genéticos capazes de modular o metabolismo das gorduras, especificamente da lipídios (principalmente triglicéridos e colesterol) e condicionou uma sensibilidade nas células à insulina. Graças a isso, nessa região o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e da diabetes é bastante reduzida.   


Por outro lado, aqueles que viveram sem essas "pressões climáticas" durante a evolução, como na região do Mediterrâneo que é mais quente, as pessoas são mais suscetíveis a desenvolver essas doenças, pois não tem essas variantes genéticas que metabolizam a gordura. (ANSA)
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