Renzi critica UE e diz que não há avanços sobre imigração

ROMA E BRATISLAVA, 16 SET (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, saiu "insatisfeito" da reunião entre os líderes dos 27 países-membros da União Europeia nesta sexta-feira (16). Segundo o premier italiano, não há avanços nas questões de imigração e da rígida política econômica do bloco.   

"Não foi dado nenhum passo adiante. Não estou satisfeito com as conclusões sobre crescimento e imigrações e, por isso, não posso fazer uma coletiva de imprensa com [Angela] Merkel e [François] Hollande porque não compartilho das conclusões como eles. Mas, isso não é nenhum fato polêmico", disse o italiano após a reunião.   

A reunião ocorrida em Brastislava, na Eslováquia, deveria debater o futuro da União Europeia após a saída do Reino Unido do bloco, o chamado "Brexit". Mas, como não houve ainda a formalização do pedido de saída, os "tradicionais" embates sobre economia e crise imigratória foram os principais assuntos do dia.   

Apesar da insatisfação, Renzi destacou que o encontro desta sexta-feira "não foi uma perda de tempo", mas que "definir um documento sobre os imigrantes de hoje é um passo adiante que beira à fantasia" - e que o que foi debatido "foram as mesmas coisas de sempre".   

O premier italiano ainda aumentou o tom, dizendo que seu governo "está fazendo a sua parte e estamos prontos para fazer sozinhos, se isso for necessário". Por ser um dos dois países que mais recebe os deslocados através do Mar Mediterrâneo, Renzi propôs um acordo chamado de "Migration Compact" para gerenciar a crise imigratória.   

Porém, apesar da UE ter elogiado por diversas vezes o projeto, não há acordo entre os países-membros do bloco sobre o tema.   

Especialmente, há uma grande resistência das nações do leste europeu, que veem na imigração uma ameaça à economia nacional.   

Indignado, Renzi afirmou que "se a única coisa que pode fazer a Guarda Costeira" europeia - o chamado "Frontex" - "é levar os imigrantes para a Sicília", isso "não pode continuar assim. Ou a UE faz acordos com os países africanos ou nós vamos fazê-los sozinhos".   

A citação tem a ver com o fato de que a Itália recebe, em sua imensa maioria, imigrantes que vêm de países do norte africano e não da Síria, como ocorre com as chegadas de estrangeiros na Grécia.   

- França e Alemanha: Por sua vez, ao fim do encontro, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande deram uma entrevista coletiva para os jornalistas destacando o momento "difícil" para o bloco.   

"Em vista da situação crítica da Europa após o referendo da Grã Bretanha, mas também considerando as outras dificuldades que temos, concordamos com uma agenda, ter um plano de trabalho que leve ao fim, nos 60 anos dos Tratados de Roma, os temas relativos e os justos pontos-chave", disse Merkel aos jornalistas.   

Segundo a alemã, esses pontos seriam "segurança, imigração e a defesa das fronteiras". Ainda na coletiva, a líder política da Alemanha destacou que "o objetivo agora é parar a imigração ilegal, se possível, ou reduzi-la" e, por outro lado, "lutar contra as causas da imigração". Ao falar isso, Merkel destacou o acordo da UE com a Turquia, assinado em maio deste ano, que diminui o fluxo de imigrantes sírios que chegam à Europa.   

A chanceler também destacou que houve uma boa recepção das "propostas francesas e alemãs" na questão da segurança interna e externa, mas sem citar quais seriam as medidas adotadas para frear, especialmente, o terrorismo. "O espírito de Bratislava é o espírito de colaboração", destacou a chanceler.   

Já Hollande ressaltou que "a segurança está, antes de tudo, na proteção das fronteiras" da Europa e que cada país deve "assumir as próprias responsabilidades em relação à imigração irregular".   

"A União Europeia deve estar consciente da desconfiança que pode suscitar e da esperança que deve levar a todos", ressaltou o mandatário francês.   

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ressaltou que o bloco "está determinado a corrigir os erros do passado" e que a avaliação sobre os desafios realizada nesta sexta "é sóbria, mas não pessimista".   

Sobre a agenda falada por Merkel, Tusk destacou que está certo de que esse documento "guiará nossos conselheiros" e "deve levar à reconstrução da confiança na União Europeia". "Posso dizer que há esperança", disse ainda o líder do Conselho.   

- Economia: O embate entre Itália e Alemanha voltou a ser forte nas questões econômicas. Ferrenho defensor de mais flexibilidade na União Europeia, Renzi atacou a austeridade defendida por Merkel.   

Segundo o italiano, a política de austeridade "não funcionou" e é preciso que a Europa consiga estimular o crescimento econômico de seus Estados-membros.   

Para defender seu ponto de vista, o premier italiano fez uma dura crítica à Alemanha e lembrou da "eterna" briga sobre a questão da regra do déficit em relação ao PIB de cada nação.   

"Assim como os países devem respeitar as regras do déficit, da mesma maneira, devem ser respeitadas outras regras como aquela do superávit comercial. E há alguns países que não a respeitam, sendo a Alemanha o principal deles", disparou Renzi.   

Falando aos italianos, o premier garantiu que seu governo "continuará a abaixar os impostos" e disse que não permitirá intromissões da UE na questão da reformas escolar. "Acho que é interesse para a Europa que é preciso manter os nossos filhos em segurança, e seja um milhão ou um bilhão, a Itália não soltará nada nessa questão. Para o resto, a nossa lei de estabilidade encontrará as soluções como sempre encontramos", ressaltou. (ANSA)
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