Na ONU,Temer fala de impeachment e pede fim de protecionismo

SÃO PAULO, 20 SET (ANSA) - Como manda a tradição, o presidente do Brasil, Michel Temer, abriu os discursos da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (21) e pediu "união" e "esperança" para as lideranças políticas.   


"O Brasil traz às Nações Unidas sua vocação de abertura ao mundo. Somos um país que se constrói pela força da diversidade e acreditamos no poder do diálogo e defendemos com afinco os princípios que regem esta Organização", abriu o discurso.   


Segundo o mandatário, o mundo atual sofre com "marcas de incerteza e instabilidade" que vão desde a "conflagrações regionais ao fundamentalismo islâmico" e criticou a atual "xenofobia, os nacionalismos exacerbados e a demagogia" que trazem "sérios riscos" ao mundo.   


"Precisamos nos unir para transformar. Precisamos nos unir pela diplomacia: uma diplomacia com pés nos chão mas, com sede de mudanças", destacou Temer.   


Citando as questões regionais, como o Mercosul, o presidente destacou que o Brasil lida com esse tipo de diplomacia com seus parceiros. "Queremos para o mundo o que queremos para o Brasil: paz, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos. Esses são os valores que nos orientam", ressaltou.   


Assim como ocorreu nos discursos dos últimos anos, o governo brasileiro defendeu uma reforma no Conselho Segurança da ONU para torná-lo mais plural e conseguir "enfrentar os grandes desafios de nossos tempos".   


Ao falar de problemas mundiais, Temer citou as questões do tráfico internacional de drogas e de armas e criticou situações de conflitos tanto na Síria, onde "mulheres e crianças são as que mais sofrem", e a falta de reuniões e empenho para resolver o problema entre Israel e Palestina.   


O mandatário citou ainda a questão da proliferação de armas nucleares e lembrou do teste realizado pela Coreia do Norte no início deste mês.   


"O Brasil fala com a autoridade de um país onde o uso da energia nuclear para fins exclusivamente pacíficos está na Constituição", disse citando o Brasil como exemplo também no acordo com os argentinos sobre o tema.   


No meio do discurso, Temer afirmou que "não são apenas" coisas ruins que acontecem no mundo e celebrou uma série de acordos regionais e internacionais, como a questão das armas nucleares do Irã, o fim do conflito entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Bogotá e a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos.   


Neste último, o governo brasileiro reafirmou sua postura e pediu "o fim do embargo econômico" contra os cubanos.   


O presidente ainda falou sobre a relação do Brasil com os países do continente africano e disse querer "empreender projetos que nos aproximem ainda mais".   


- Desenvolvimento e meio-ambiente: Durante seu discurso, Michel Temer reafirmou que o Brasil ratificará sua assinatura no Acordo de Paris sobre o meio-ambiente e cobrou a implementação da Agenda 2030 na questão do desenvolvimento.   


"Uma sociedade desenvolvida é aquela em que todos têm direito a serviços públicos de qualidade. Desenvolvimento é dignidade - e a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos do Estado brasileiro. Desenvolvimento é imperativo e é onde todos tenham direito a serviços públicos, em que se garante a igualdade de oportunidades e que o acesso ao trabalho decente não é privilégios de alguns", ressaltou.   


Temer arrematou dizendo que a "a Agenda 2030 é a maior empreitada das Nações Unidas em prol do desenvolvimento".   


Já na questão ambiental, o presidente destacou que o Brasil é o "país mais biodiverso do mundo, detentor de matriz energética mais limpa e que tem compromisso inequívoco com o meio ambiente".   


Ao falar sobre isso, Temer cobrou o fim do protecionismo comercial nos temas relacionados à agricultura dizendo que a prática "é uma perversa barreira ao desenvolvimento" das nações.   


- Direitos humanos, Brasil e processo de impeachment: Temer usou a parte final de seu discurso para falar do respeito aos direitos humanos e à questão do impeachment. Na primeira, o mandatário ressaltou que "os direitos humanos são desrespeitados todos os dias" em várias partes do mundo e destacou que os imigrantes e refugiados são os mais atingidos por isso.   


" A plena fruição dos direitos humanos permanece uma aspiração inalcançada no mundo. Nosso olhar deve voltar-se, também, para as minorias e outros segmentos mais vulneráveis de nossas sociedades e é o que temos feito no Brasil, com programas de transferência de renda e de acesso à habitação e à educação", ressaltou.   


O líder político aproveitou para lembrar da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, destacando que os eventos mostraram que "é possível o encontro de nações com paz e energia".   


Sem citar a palavra impeachment, Temer falou sobre o afastamento de Dilma Rousseff e disse que o Brasil acabou de passar por um "processo democrático" do "Estado de direito". "Tudo ocorreu no maior respeito constitucional", ressaltou falando sobre a "independência" do Judiciário e da imprensa nacional.   


"Nesta segunda década do século 21, já não podemos ter dúvidas de que nossos problemas são globais", ressaltou Temer ao final do discurso. Ele ainda lembrou que essa é a última Assembleia sob o comando do secretário-geral Ban Ki-moon, ao qual agradeceu por seu trabalho. (ANSA)
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