Java Jato e crise econômica destroçaram PT nas eleições

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 3 OUT (ANSA) - Vitorioso nas eleições de 2012 e cheio de promessas de mudar o Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT) sofreu um revés nas urnas ontem (2), quando milhares de brasileiros votaram para eleger vereadores e prefeitos. Ao perder a Prefeitura de São Paulo, que estava com Fernando Haddad, e de outras cidades importantes, como em seus redutos no nordeste, o PT encerrou seu ciclo político nacional e agora terá que se reformular caso ainda queira ser o principal nome da esquerda no país - espaço que já está começando a ser ocupado pelo PSOL. No Rio de Janeiro, o PSOL disputará o segundo turno com seu candidato Marcelo Freixo, que enfrentará o pastor Marcelo Crivella (PRB). Em Belém, o PSOL também está na disputa da Prefeitura com Edmilson contra Zenaldo Coutinho (PSDB).   


"O PT saiu destroçado das eleições", disse à ANSA o cientista político e professor do Insper Carlos Melo.   


De acordo com ele, a Operação Lava Jato foi um dos fatores que levaram à decadência do PT, mas a crise econômica também fora determinante para a perda de apoio nas urnas. "Certamente este cenário está ligado aos efeitos da Lava Jato, mas também da crise econômica. Em 2012, quando foram cumpridos os mandatos de prisão dos líderes do PT envolvidos na Lava Jato, o PT ganhou em várias capitais, inclusive São Paulo, porque, naquele momento, havia outro contexto econômico", disse Melo. Segundo o especialista do Insper, a tendência é que o ciclo pós-eleições do PT seja de reestruturação interna e debandada, com membros se desfiliando do partido e encerrando a possibilidade de vitória nas eleições de 2018, mesmo se Lula, que já é réu em dois processos, se candidatar. Sem Lula, sem Haddad e sem um sucessor concreto de Dilma Rousseff, que sofreu um impeachment em agosto, as chances do PT se reduzem significativamente. "Até 2018 é pouco tempo para reverter a imagem do PT, que deve passar por várias mudanças internas, as quais tendem a dilacerar o partido nos próximos anos. Também não sabemos se o PT conseguirá se reerguer", disse Melo. Se, por um lado, o PT sinalizou sua decadência nas urnas, o rival PSDB conseguiu um feito inédito em São Paulo: vitória no primeiro turno com o candidato João Dória Júnior, apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, que deve tentar a candidatura presidencial em 2018.   


"A eleição em São Paulo é uma vitória importante, mas simbólica.   


Doria foi eleito com apenas um terço dos votos, então Alckmin está longe de ser o 'líder' do eleitorado paulista", ressaltou Melo. "Houve muita euforia com a vitória do PSDB, mas os números precisam ser vistos com cuidado". O especialista também sugeriu que a mesma análise seja feita em relação ao PMDB e ao governo do presidente Michel Temer. "A base do Temer saiu vitoriosa, mas isso não significa que seja favorável para o governo, porque é uma base fragmentada, nem todos apoiam as reformas do presidente". (ANSA)
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