Vitorioso, PSDB sai das eleições com tensão em alta

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 03 OUT (ANSA) - Tido como um dos grandes vencedores das eleições municipais de 2016, o PSDB, que conquistou a maior cidade do Brasil, São Paulo, e outros 792 municípios, sai das urnas com um grande patrimônio eleitoral, mas também em um ambiente de tensão.   


O responsável pela maior vitória tucana, João Doria, foi bancado pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, que desafiou os caciques do partido para indicar alguém sem experiência em campanhas e que parecia ter poucas chances de se eleger. Com o triunfo do pupilo, Alckmin ganha impulso para disputar a Presidência da República em 2018.   


"O partido que sai com tensões mais fortes é o PSDB", diz o professor Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Mackenzie. Além do governador, a sigla abriga outros dois nomes com pretensões presidenciais: o senador Aécio Neves e o chanceler José Serra. Não é novidade para ninguém que os três não se bicam.   


"O problema maior do PSDB é que tem o Aécio com um patrimônio de votos, o Serra em um ministério importante e o Alckmin, que apostou em um nome no qual ninguém apostaria", acrescenta. Por outro lado, o partido tem o que comemorar. Além de levar a joia da coroa, São Paulo, manteve Teresina (PI) e disputará o segundo turno em outras oito capitais: Belém (PA), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT) e Maceió (AL).   


O número de prefeituras tucanas subiu de 686 em 2012 para 793 em 2016, uma expansão de 15,6%. Outras siglas que tiveram bom desempenho foram PMDB (de 1.015 para 1.028) - apesar das derrotas doloridas em São Paulo e Rio de Janeiro - e PSD, que desbancou o PT como terceiro maior partido do país em número de prefeituras, com 539.   


"Tem algo que não tem aparecido muito nas análises, que é o desempenho do PSD. É um partido que pega uma espécie de espólio do DEM. Mas o quadro que estamos vendo é de certa perda de estrutura do sistema partidário", explica André Borges de Carvalho, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), destacando o aumento da fragmentação entre as siglas.   


O curioso é que os dois partidos com mais cidades, PMDB e PSDB, estão juntos no governo Temer, apesar da impopularidade do presidente da República - como pôde sentir nas urnas a candidata peemedebista em São Paulo, Marta Suplicy. "Mas o fortalecimento geral do PMDB e do PSDB pode arrefecer os ânimos do 'Fora, Temer'. Vai continuar existindo, mas pode diminuir", ressalta Prando.   


Outro efeito das eleições municipais de 2016 é o esvaziamento do campo da esquerda. Com a derrocada do PT, embora a sigla se identifique hoje mais com a social-democracia europeia, não há, em um primeiro momento, um partido que possa ocupar o espaço deixado dentro desse campo ideológico.   


"Acho que o Psol, apesar de ter tido um bom desempenho, indo para o segundo turno em Belém e Rio de Janeiro, não tem condição de ocupar o vazio deixado pelo PT porque é um partido muito pequeno. Ele praticamente não existe fora das grandes cidades", diz Carvalho.   


Para ele, um candidato a preencher esse vácuo é o PSB, em que pese a queda no número de prefeituras de 434 para 414. "O PSB tem mais condição de ocupar esse espaço do que o Psol, é um partido mais pragmático", completa o cientista político da UnB.   


(ANSA)
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