Colômbia busca 'plano B' para acordo de paz com Farc

BOGOTÁ, 4 OUT (ANSA) - Após a vitória do "não" ao acordo de paz assinado entre o governo colombiano e os líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente Juan Manuel Santos tenta por em prática uma espécie de "plano B" para a paz.   

Depois uma reunião com os principais líderes de partidos do país, o mandatário informou que todos respaldaram a formação de uma "comissão ampla" que permita a existência de um "diálogo nacional" para a paz.   

No entanto, o principal "vencedor" do referendo, o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, foi convidado mas não compareceu ao encontro político. Em nota, sua sigla, o Centro Democrático, afirmou que vai "apoiar um grande pacto nacional" desde que "se escute nossas motivações".   

Uribe foi o grande opositor ao documento assinado entre Santos e Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido por "Timochenko", que colocava fim a 52 anos de conflito armado.   

O ex-mandatário não aceitava, por exemplo, a troca de penas judiciais por penas mais brandas de trabalho voluntário ou reformas na legislação - conforme o documento assinado oficialmente previa. Sabendo de sua vitória, Uribe já informou que impõe condições para o novo acordo.   

"Queremos um grande pacto nacional e nos parece fundamental que, em nome da paz, não se criem riscos aos valores que a tornem possível. Insistimos em punições para que haja respeito à Constituição, não substituição. Pluralismo político sem que possa haver prêmio ao crime. Política social sem colocar em risco as empresas", disse o ex-mandatário.   

Toda a negociação de paz ocorreu em Havana (Cuba) e contava com o respaldo da comunidade internacional, envolvendo diretamente, até mesmo, a participação de um representante do Vaticano. No entanto, a oposição a Santos reclamava que eles não eram consultados sobre as decisões e que ficaram "de fora" do pacto.   

Por isso, os líderes das negociações devem voltar a reunir-se para definir o que farão e o que aceitam mudar no acordo para tentar atingir a tão almejada paz. Porém, o chefe das negociações do governo, Humberto de la Calle, anunciou que colocou seu cargo "à disposição" do presidente Santos "porque eu não serei um obstáculo para o que vai acontecer". "Mas, repito, sempre continuarei a trabalhar pela paz sem parar no local onde eu puder ser útil", acrescentou o negociador.   

Por sua vez, as Farc anunciaram que irão se manter na mesa de negociações para tentar encontrar um novo acordo.   

O conflito armado entre a Colômbia e as Farc é considerado o mais longo da história das Américas e já deixou mais de 220 mil votos. Apesar de ter sido chancelado pela ONU e pela comunidade internacional, o acordo foi rejeitado por 50,23% dos votantes, em um pleito que registrou mais de 64% de abstenção. (ANSA)
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