Em evento no Vaticano, Papa pede fim da corrupção no esporte

CIDADE DO VATICANO, 5 OUT (ANSA) - O papa Francisco abriu nesta quarta-feira (5) os trabalhos da primeira Conferência Global sobre Fé e Esporte - "Esporte a Serviço da Humanidade" no Vaticano e pediu para que dirigentes de todo o mundo impeçam que o "câncer da corrupção" tome conta do esporte.   


"O desafio é manter a genuinidade do esporte e protegê-lo das manipulações e da exploração comercial. Seria triste para o esporte e para a humanidade se as pessoas não conseguissem mais confiar na verdade dos resultados esportivos ou se o cinismo e o desencanto levassem vantagem sobre o entusiasmo e sobre a participação alegre e desinteressada", afirmou o líder da Igreja Católica.   


No evento, que terá a duração de três dias, estavam presentes o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Giovanni Malagò, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, entre outras delegações ligadas ao esporte mundial.   


Agradecendo aqueles que se empenham "em erradicar toda forma de corrupção e manipulação", Jorge Mario Bergoglio destacou o programa da ONU que luta contra o "câncer da corrupção em todas as esferas da sociedade".   


"Quando as pessoas lutam para criar uma sociedade mais justa e transparente, estão colaborando com a obra de Deus. No esporte, como na vida, é importante lutar pelo resultado. Mas, jogar bem e com lealdade é ainda mais importante", acrescentou.   


O papa Francisco, que também é conhecido pelo amor que tem pelo futebol e pelas constantes delegações esportivas que recebe no Vaticano, ainda destacou que o esporte é uma das atividades que pode "enriquecer" a vida das pessoas de todo o mundo sem diferenciação de credo, nacionalidade ou etnia.   


"Nestes últimos meses, nós vimos como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos estiveram no centro da atenção do mundo inteiro", disse o sucessor de Bento XVI ao falar das Olimpíadas do Rio de Janeiro, acrescentando que o lema olímpico "citius, altius, fortius" ("mais rápido, mais alto, mais forte") "é um convite para desenvolver os talentos que Deus nos deu".   


O líder católico ainda destacou que o esporte acaba incluindo quem é marginalizado pela sociedade, relembrando a sua luta pelo fim da "cultura do descarte" e pela inclusão mais humana dos mais pobres.   


"Todos conhecem o entusiasmo das crianças que jogam com uma bola murcha ou feita de trapos nos subúrbios de algumas grandes cidades ou pelas ruas de pequenas localidades. Quero encorajar todos - instituições, sociedades esportivas, centros educativos e sociais, comunidades religiosas - para trabalhar juntos para que essas crianças possam chegar ao esporte em condições dignas, especialmente, para aqueles que são excluídos por causa da pobreza", finalizou sob muitos aplausos.   


- COI Quem também fez um discurso sobre a importância do esporte na vida da sociedade foi o líder do COI, Thomas Bach, que ressaltou que a mensagem olímpica é mais forte que as divisões atuais que existem ao redor do globo.   


"O COI está em plena linha com esta conferência sobre fé e esporte. No nosso frágil mundo de hoje, abalado por conflitos, crises e desconfiança, a mensagem da nossa humanidade comum é mais forte que as forças que queremos nos dividir", disse Bach ressaltando que a entidade está apoiando "sem reservas" a declaração da conferência.   


Segundo Bach, o encontro mostra que os dirigentes esportivos e políticos que estavam presentes no Vaticano estão "unidos na convicção" do poder que o esporte tem para transformar a sociedade. "O esporte é uma inspiração e tira de nós o melhor.   


Esporte e fé estão unidos porque compartilham muitos dos mesmos valores que são importantes para vivermos juntos como uma família", falou ainda.   


Ressaltando que a fé e o esporte dividem, por exemplo, os valores de viver em paz e de solidariedade com os outros, Bach lembrou que o COI criou a primeira delegação olímpica de refugiados como sinal de igualdade entre as pessoas.   


"Com a criação desta equipe, o COI enviou uma mensagem de esperança e de inclusão a todos os refugiados do mundo. Os atletas refugiados recebem uma incrível acolhida por onde andavam no Rio de Janeiro e no mundo demonstraram que todos somos parte da mesma humanidade", disse ainda.   


- Roma 2024: Após a primeira reunião, o presidente do Coni foi questionado pelos jornalistas se havia conversado com Bach sobre a desistência da cidade de Roma para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2024.   


De acordo com Malagò, "tanto o Vaticano como o COI me pediram para não fazer declarações sobre a candidatura de Roma 2024".   


"Falarei com Bach no fim de semana e farei uma coletiva de imprensa com todos os detalhes, talvez, na terça-feira (11).   


Assim contarei tudo", acrescentou o cartola.   


Já Bach despistou ao ser questionado e disse estar na Itália para "escutar e ser informado sobre o que está acontecendo".   


"Vocês sabem bem o quanto a política italiana sabe ser muito interessante. É sempre um prazer estar na Itália com os meus amigos", acrescentou.   


Quem também comentou sobre a desistência foi o chefe do Comitê Promotor Roma 2024, Luca Di Montezemolo. "Hoje apareceu uma coisa muito verdadeira, também das palavras do Papa. O esporte é também o prazer de competir sem se desesperar. O não participar de uma competição em que se pode estar, desistir, é uma coisa muito, muito feia", disse Montezemolo. Conforme o dirigente italiano, a desistência anunciada pela prefeita Virginia Raggi é "objetivamente, muito humilhante para a cidade, para os jovens e também, em certos aspectos, para a Itália". (ANSA)
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