Quais temas desafiam Guterres como novo secretário da ONU?

Por Luciana Ribeiro SÃO PAULO, 6 OUT (ANSA) - O ex-primeiro-ministro português António Guterres assumirá como novo secretário-geral das Nações Unidas no dia 1 de janeiro de 2017 e terá uma série de desafios a enfrentar, apesar de ser considerado um dos diplomatas mais preparados para o cargo. Ex-comissário da ONU para os Refugiados (2005-2015), Guterres liderará a ONU num momento desafiador, repleto de confrontos nacionais e internacionais, além da crescente tensão entre a Rússia e o Ocidente e a crise imigratória na Europa. "Acho importante o novo secretário ser um europeu neste momento em que a Europa passa por tantos desafios e crises. De certa forma, a Europa é o centro de muitos dos graves problemas que nós temos no mundo", afirmou Heni Ozi Cukier, cientista político e professor da ESPM.   

Há mais de dois anos, com a guerra na Síria e as instabilidades na Líbia, o continente europeu recebe o maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A crise econômica e a dificuldade dos imigrantes serem absorvidos pela sociedade levaram ao fortalecimento de partidos nacionalistas xenofóbicos e ao risco de terrorismo. "O grande desafio de Guterres é entender melhor como se dão os processos pelos quais os povos se tornam cada vez mais conectados", disse Clayton Pegoraro, professor de direito internacional da Universidade Mackenzie. "A crise econômica e o desemprego mundial também dependerão de grande empenho do ex-primeiro-ministro português", afirmou. Outro desafio de Guterres na ONU será o de assegurar que a Rússia consiga manter boas relações com o futuro vencedor da eleições presidenciais norte-americanas para que, juntos, possam amenizar os conflitos na Síria.   

"O mundo pós-Obama vai ser bem mais complicado, perigoso e emblemático. Isso não será só um problema para o secretário-geral da ONU, mas também para o próprio presidente norte-americano", disse Cukier, referindo-se ao pleito presidencial de novembro. Internamente, Guterres também terá que restaurar a reputação da ONU, manchada pela incapacidade de liderar e solucionar problemas mundiais. "Ele é uma pessoa experiente do ponto de vista das relações internacionais, é um profundo conhecedor de mecanismos de funcionamento do próprio órgão. Foi um primeiro-ministro, então tem todo um conhecimento político e cultural para assumir em um momento de grande importância do cenário mundial", afirmou Pegoraro.   

A escolha de Guterres para a Secretaria-Geral da ONU foi anunciada pelo próprio português ontem (5), após uma série de negociações que tinham como principal entrave a exigência de Moscou de colocar um representante do leste europeu, de preferência do sexo feminino, o que seria inédito para o posto.   

Mas o pedido russo não foi adiante. Nesta quinta-feira (6), o Conselho de Segurança nomeou formalmente Guterres para o cargo, por aclamação. Como acontece a eleição? Durante meses, os membros do Conselho de Segurança fazem um processo de escolha para eleger o nome do futuro secretário-geral.   

Após a decisão, o escolhido é submetido à aprovação final dos 193 países que integram a Assembleia Geral da ONU. O Conselho tem cinco membros permanentes: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França, os chamados P-5. Estes países têm direito de veto, ou seja, para ser escolhido, o postulante precisa ter ao menos nove votos e, entre eles, é necessário que estejam os dos P-5.   

Na história da ONU, até o momento, nenhum nome indicado pelo Conselho de Seguran foi rejeitado pela Assembleia.   

O mandato de Guterres começa em 2017 e ele sucederá o sul-coreano Ban Ki-moon, que está no posto desde 2007. (ANSA)
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