Fifa enfrenta processo por exploração de trabalho no Catar

SÃO PAULO, 11 OUT (ANSA) - Um imigrante bengali, que trabalhou nas obras para a construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2022 no Catar, vai processar a Fifa por cumplicidade nas péssimas condições de trabalho a que foi submetido, informou o jornal britânico "The Guardian".   


Essa é a primeira ação judicial na Suíça, onde fica a sede da entidade, por causa do Mundial de 2022. A causa foi aberta pela Confederação de Sindicatos da Holanda (FNV, na sigla em holandês) em nome de Nadim Sharaful Alama.   


Em uma carta enviada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a FNV deu três semanas para que a entidade reconheça sua parcela de culpa no caso e faça o ressarcimento do funcionário. Caso não cumpra com isso, a ação judicial será iniciada imediatamente.   


Apesar da carta, é muito provável que a Fifa mantenha sua postura de negar ser cúmplice. Isso porque, caso admita, o problema não seria pagar a quantia de 5 mil francos suíços (R$ 16,2 mil) a Alama, mas sim o precedente que abriria para milhares de processos semelhantes.   


Continuamente, seja com Infantino ou com o ex-presidente Joseph Blatter, a Fifa sempre alegou que não tem culpa sobre o sistema trabalhista do Catar. No entanto, os advogados da FNV alegam que a concessão do evento ao país já é prova da cumplicidade.   


"A Fifa deve reconhecer que agiu injustamente concedendo a Copa do Mundo de 2022 ao Catar sem exigir garantia de que o Catar observasse os direitos humanos e os direitos trabalhistas dos imigrantes da construção civil cujo trabalho está relacionado à Copa do Mundo de 2022", disseram os representantes.   


Por isso, o sindicato afirma que a Fifa tem dupla responsabilidade sobre a questão dos trabalhadores. A primeira, ao deixar o país participar da seletiva para candidatura e, consequentemente, ser eleita. Já a segunda falha da entidade seria não exigir uma reforma trabalhista no Catar para garantir direitos dos estrangeiros que iriam trabalhar na infraestrutura do Mundial.   


Desde que o Catar iniciou a construção das obras para a Copa do Mundo, entidades e organizações não governamentais internacionais denunciam a constante violação dos direitos humanos no país. Por não ter mão de obra suficiente, a imensa maioria dos trabalhadores vêm de outros países da região.   


Há centenas de relatos de funcionários que vivem e trabalho de "semiescravidão". Eles tiveram seus passaportes apreendidos durante as obras, há um intenso controle de água e de comida para eles,as jornadas de trabalho são intensas e longas e não há assistência médica adequada. (ANSA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.



Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos