Entenda a guerra civil que já matou 10 mil no Iêmen

WASHINGTON, 13 OUT (ANSA) - Os Estados Unidos atingiram na madrugada desta quinta-feira (13) com mísseis Tomahawk três postos de radar no Iêmen, na costa do mar Vermelho, controlados por rebeldes xiitas houthis.   

Segundo o Pentágono, a ação foi uma resposta a um ataque realizado dias antes contra um navio de guerra norte-americano que navegava pela região. Os disparos foram autorizados pessoalmente pelo presidente Barack Obama, sob recomendação do secretário de Defesa Ash Carter.   

Essa foi a primeira ação de fogo dos Estados Unidos na guerra civil no Iêmen, que já dura mais de um ano e meio e matou mais de 10 mil pessoas. Até agora, Washington havia se limitado a dar assistência logística à coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os houthis.   

Entenda - O conflito atual no país árabe teve início nos primeiros meses de 2015, com uma insurreição dos houthis, de orientação xiita, apoiada pelo Irã. Alegando serem vítimas de discriminação por parte do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi, eles deflagraram uma revolta e tomaram parte do país, incluindo a capital Sanaa.   

Isso motivou a reação das monarquias sunitas da Península Árabe, que, lideradas pela Arábia Saudita e com apoio dos EUA, formaram uma coalizão para combater os houthis. Desde então, o Iêmen convive com bombardeios quase diários e uma divisão que parece longe de ter fim.   

Para piorar, o país abriga uma das células mais ativas da Al Qaeda e vê o aumento da influência do grupo terrorista Estado Islâmico (EI). O primeiro ataque direto promovido pelo Pentágono pode agravar a situação, já que o Irã enviou dois navios de guerra ao Golfo de Áden após a ação da Marinha norte-americana.   

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a crise no Iêmen já fez mais de 180 mil pessoas deixarem o país, 51 mil delas fugindo para o vizinho Omã, e 39 mil, para a Arábia Saudita.   

Contudo, muitas também se arriscam a cruzar o Golfo de Áden com destino ao Chifre da África, principalmente Djibuti (36 mil) e Somália (33 mil). É dessa região que sai boa parte das pessoas que atravessam o Mediterrâneo rumo à Itália para pedir refúgio na Europa. (ANSA)
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