'Mestre dos mestres', diz ator de peça de Dario Fo em SP

Por Lucas Rizzi SÃO PAULO, 13 OUT (ANSA) - Henrique Stroeter, de 53 anos, tinha apenas 16 quando, em 1980, foi assistir a uma montagem da peça "Morte acidental de um anarquista" estrelada por Antonio Fagundes.   


O espetáculo o impactou de tal maneira que ali ele decidiu que queria ser ator. O dramaturgo que a escreveu, o italiano Dario Fo, morreu nesta quinta-feira (13), aos 90 anos de idade, justamente no momento em que Stroeter encena a peça que semeou nele o desejo pelos palcos.   


"Morte acidental de um anarquista" está em cartaz até o dia 18 de dezembro no Teatro Folha, em São Paulo, com sessões de sexta, sábado e domingo. "Era um moleque perdido, fui assistir meio à toa, mas foi essa peça que me fez virar ator. Devo minha profissão e minha vida a Dario Fo e Antonio Fagundes", conta Stroeter, em entrevista à ANSA Brasil.   


Escrita em 1969, a obra se baseia em um caso verídico, a morte de um anarquista em Milão, para contar a história de um louco que quer ser várias pessoas ao mesmo tempo. Ao ser levado para a delegacia, acusado de falsidade ideológica, ele se passa por um juiz e começa a investigar a tal morte do anarquista.   


Na peça, Stroeter faz o papel do Delegado, enquanto o Louco é vivido por Dan Stulbach. O elenco ainda conta com Riba Carlovich, Marcelo Castro, Rodrigo Bella Dona e Maíra Chasseraux, a quem coube avisar o colega de que Fo havia morrido.   


"Eu achei que ia entender, ele tem 90 anos, cacete, as pessoas morrem. Mas é muito maluco como a gente não está preparado para a morte de quem a gente ama. Fiquei muito emocionado, chorei, mas é um cara que viveu plenamente", diz Stroeter, que não economiza nos elogios para definir o dramaturgo italiano.   


"Ouso dizer que, da minha geração, ele foi o grande mestre do teatro que estrutura a comédia como uma crítica social, mas sem deixar de ser divertida. Um ícone, o mestre dos mestres do humor", acrescenta.   


A ideia de reencenar "Morte acidental de um anarquista" permaneceu em sua cabeça por muito tempo, até que o amigo Dan Stulbach o convidou para montar uma peça. "'Morte acidental de um anarquista' veio na hora. A partir daí, o resto é história", relata.   


Em cartaz desde 2015, o espetáculo agradou a crítica e público, e Stroeter o define como seu "maior sucesso", encenando uma das obras-primas do dramaturgo que, mesmo sem saber, o ensinou a fazer teatro. (ANSA)
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