Ao lado de Renzi, Obama apoia reforma na política italiana

ROMA E WASHINGTON, 18 OUT (ANSA) - Durante um pronunciamento na Casa Branca nesta terça-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu total apoio à reforma constitucional proposta pelo governo de Matteo Renzi e que passará por referendo no dia 4 de dezembro.   

"Há um referendo para modernizar as instituições italianas e nós apoiamos isso porque vai deixar a economia mais dinâmica com um sistema político dinâmico. Isso poderá ajudar a Itália a ter uma economia mais vibrante", disse Obama.   

Por sua vez, Renzi foi questionado sobre as derrotas inesperadas em referendos e se isso o fazia temer pelo resultado das urnas.   

"Sei que 2016 não é um bom ano para fazer um referendo. Mas, o nosso é bem simples: é uma luta contra a burocracia", disse Renzi ao citar as constantes mudanças de governo na história da Itália. "Se o sim vencer, será muito simples para a Itália. A política será mais fácil. Se nós vencermos, a Itália será mais forte", acrescentou.   

Em um clima que transparecia muita amizade, Obama fez seus discurso elogiando a postura de Renzi, dizendo que é um dos "maiores parceiros e melhores amigos" que têm ao redor do mundo.   

Para o presidente, "Matteo representa uma nova geração de líderes não só na Itália, mas na União Europeia e no mundo".   

"Estamos de acordo com o fato de que precisamos concentrar-se no crescimento para a prosperidade das pessoas. Matteo está fazendo reformas na Itália e, às vezes, encontra resistências e inércias econômicas, mas a economia deu sinais de crescimento, mesmo tendo muito que fazer", acrescentou.   

Durante seu discurso, o líder norte-americano lembrou do terremoto que atingiu a região central da Itália em 24 de agosto, matando quase 300 pessoas, e destruindo cidades inteiras.   

"Matteo, nossos pensamentos estão com a população e a cidade de Amatrice, que vocês estão trabalhando para reconstruir", disse Obama.   

Quando foi sua vez de falar, Renzi destacou a história da pequena comuna italiana e lembrou que foi lá "que nasceu a pasta à amatriciana". Por isso, o premier italiano convidou Obama para conhecer a região e "provar o melhor prato" que já comeu na vida.   

O presidente norte-americano aproveitou seu pronunciamento para elogiar a postura da Itália ao enfrentar "o maior deslocamento de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial". "A Itália salvou milhares de vidas. Matteo, te parabenizo por sua liderança", disse o mandatário ressaltou que os EUA continuarão a apoiar os italianos nesse desafio.   

Por sua vez, Renzi destacou que "o legado de Obama" não vai terminar no fim deste ano, mas permanecerá ao longo dos anos.   

- Terrorismo: Os discursos dos dois líderes também focaram na luta contra o terrorismo e a ofensiva iniciada nesta segunda-feira (17) em Mosul, no Iraque. Lembrando que os dois países são aqueles que mais tem militares em território iraquiano, Obama se disse confiante na vitória contra os extremistas do Estado Islâmico (EI, ex-Isis).   

"Mosul será uma luta difícil, mas o EI será derrotado no Iraque.   

E depois na Síria e em todo o mundo. Agradeço a Itália por seu papel-chave na coalizão contra o EI. A Itália está dando uma grande contribuição diplomática na Líbia e queremos continuar a apoiar o governo de unidade nacional que quer expulsar o EI da Líbia também", destacou Obama.   

Por sua vez, Renzi lembrou das tropas italianas que trabalham em parceria com os EUA e disse que "enquanto alguns escolhem o ódio e a cultura da intolerância, nós queremos apostar na liberdade, na nossa identidade e os nossos ideais".   

"A agenda internacional italiana coincide totalmente com aquela norte-americana. O nosso empenho continuará ao lado da coalizão internacional em todos os teatros, a começar por aquele difícil no Iraque", disse o premier.   

- Economia: Obama e Renzi falaram bastante também de questões econômicas e o italiano voltou a dizer que o modelo norte-americano é o que deve ser seguido para a retomada do crescimento na Itália e na Europa. "Sem ênfase na produção, no crescimento, nos investimentos que geram trabalhos, a fragilidade econômica da UE voltará e terá impacto no mundo e nos Estados Unidos. Tenho um extraordinário apoio dos EUA para firmar em um paradigma de crescimento e não de austeridade em todos os níveis. Os EUA são um modelo sobre isso", disse Renzi. Para o primeiro-ministro, a "Europa pode e deve fazer mais" e seu governo considera a política adotada por Obama durante seus oito anos de mandato como "uma referência nesta batalha". "Não vamos ceder à cultura do medo. O futuro é impossível de prever, mas o futuro é um lugar maravilhoso para onde estamos caminhando. Estou convencido de que os valores dos EUA e da Itália poderão ajudar as novas gerações a considerar o futuro não uma ameaça, mas uma oportunidade", acrescentou o italiano. Renzi ainda brincou que "copiou a expressão 'Jobs Act'" ao batizar a sua reforma trabalhista, aprovada no ano passado, e disse que "pediu desculpas" a Obama por isso. Já Obama destacou que esse é o "momento de concentrar-se no crescimento e fazer investimentos".   

"Nós diminuímos o déficit não só porque cortamos despesas, mas também porque fizemos de uma maneira que houvesse uma maior receita fiscal. Matteo tem razão quando diz que a Itália manteve a sua palavra em respeito à UE e as suas reformas e a UE precisa encontrar sua maneira de crescer rapidamente", disse ainda o mandatário. Ainda nesta terça-feira, Obama será o anfitrião de um jantar de gala com Renzi, sua esposa, Agnese, e diversos expoentes dos esportes e da cultura italiana. Essa será também a última vez que Obama fará esse tipo de evento com um líder internacional em seu mandato. (ANSA)
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