Após recusa de aborto por médico, italiana morre no hospital

CATANIA, 19 OUT (ANSA) - A Procuradoria de Catania, na Itália, está investigando a morte por complicações na gravidez de uma mulher de 32 anos, que ficou internada no hospital Cannizzarro.   

Segundo a denúncia da família, a mulher estava grávida de gêmeos e faleceu após um dos médicos se negar a realizar um procedimento de aborto, já que um dos fetos estava sem sinais de vida. O advogado da família, Salvatore Catania Milluzzo, deu mais detalhes do procedimento.   

"A senhora estava no quinto mês de gestação e foi internada no dia 29 de setembro por uma dilatação antecipada do útero. Por 15 dias, correu tudo bem. No dia 15 de outubro de manhã, a situação se complicou. Ela tinha febre alta que foi curada com um remédio. Tinha colapsos e dores intensas. Sua temperatura corporal caiu para 34 graus e a pressão caiu", relatou Milluzzo.   

"Os exames apontaram que um dos fetos respirava mal e que precisava de uma intervenção, mas o médico do turno, me contaram os familiares presentes, se negou porque fez a objeção: 'até que estiver vivo, eu não intervenho', teria dito aos parentes", contou.   

O advogado relatou ainda que, como a mulher gritava e pedia por ajuda, novos exames foram feitos e foi constatado que o segundo feto tinha os mesmos problemas. "E também neste caso, o médico se negou a tirar o feto porque só o faria assim que o coração parasse de bater porque ele fazia a objeção de consciência", acrescentou.   

Após esse atendimento, outro médico avisou os familiares que as condições da mulher eram "gravíssimas" porque ela estava "com uma infecção generalizada". A mulher e os fetos morreram no dia 16 de outubro.   

Na Itália, desde o fim da década de 1970, o aborto é permitido desde que a gestação tenha menos de 90 dias. Os médicos, no entanto, têm o direito a se negar a realizar o procedimento alegando "objeção consciente".   

Por causa da denúncia, o procurador de Catania, Carmelo Zuccaro, ordenou a transferência do corpo para o instituto de medicina legal, impedindo o funeral que já estava programado, e requisitou os dados médicos da paciente. Os juízes vão analisar as informações que serão coletadas e poderá indiciar os responsáveis por homicídio culposo. (ANSA)
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