5 anos após morte de Kadafi, Líbia vive à beira do colapso

Por Giuseppe Maria Laudani CAIRO, 20 OUT (ANSA) - Caos, colapso econômico, terrorismo e tensões políticas. Cinco anos depois da morte do ex-ditador Muammar Kadafi, a Líbia segue afundada em uma crise sem precedentes.   

Os ventos da Primavera Árabe, que soprou pelo Mediterrâneo e enterrou mais de 40 anos de regime autoritário, com a vã esperança de criar novas instituições democráticas, conduziram o país a uma nova fase de guerra civil, após aquela iniciada com a revolução.   

O sonho de criar um governo unitário, capaz de enfrentar a emergência do terrorismo e a crise migratória, se realizou apenas no papel, levando, ao invés disso, a uma descentralização política e administrativa, apesar dos esforços das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional.   

Do punho de ferro de Kadafi, a Líbia passou para um período de anarquia institucional, que atualmente opõe as forças do Conselho Presidencial liderado por Fayez al Sarraj - apoiado pelo Ocidente e pela ONU - às autoridades de Tobruk, no leste, sustentadas pelo comandante das Forças Armadas, Khalifa Haftar.   

Tobruk e seu Parlamento não reconhecem o governo de Trípoli, nascido em dezembro de 2015, no Marrocos, e o definem como ilegítimo. E a disputa por poder se reflete também no campo de batalha. Um exemplo disso é a blitz de Haftar em setembro passado para tirar de milícias fiéis a Trípoli o controle de portos exportadores de petróleo.   

Também houve a recente tentativa de golpe na capital por parte de grupos ligados à Irmandade Muçulmana e guiados pelo ex-premier Khalifa Al Ghwell. Central nesse contexto é o conflito com o Estado Islâmico (EI) em Sirte, cidade onde Kadafi foi morto.   

Embora a parábola do grupo jihadista esteja em sua fase descendente, graças às milícias que a bombardeiam há meses com a ajuda dos EUA, muitos especialistas ainda temem que a Líbia possa se tornar uma nova Somália. Além disso, o explosivo quebra-cabeças líbio ainda inclui organizações inspiradas na Al Qaeda em Bengasi, numerosos atentados contra civis, a tragédia dos imigrantes no Mediterrâneo e o drama dos deslocados internos.   

Essa é a herança deixada por aquele 20 de outubro de 2011, quando a Primavera Árabe encerrou a vida e o domínio de um dos ditadores mais cruéis e longevos do século 20. (ANSA)
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