Caso de grávida morta após aborto reacende debate na Itália

CATANIA, 20 OUT (ANSA) - A morte de Valentina Milluzzo, 32 anos, que estava grávida de gêmeos, ainda continua a gerar polêmica na Itália. A família acusa um dos médicos do hospital Cannizzaro, na cidade de Catania, de ter se recusado a fazer o procedimento de aborto mesmo com os fetos apresentando problemas de respiração.   

Nesta quarta-feira (20), o diretor-geral do hospital, Angelo Pellicanò, negou que um dos profissionais do local tenha alegado uma "objeção de consciência" para realizar o procedimento. Na Itália, o aborto é permitido desde 1978, mas os médicos têm o direito de se negar a fazer o procedimento alegando a "objeção de consciência".   

"Não houve nenhuma objeção por parte do médico que atuou no caso em questão até porque não havia uma interrupção voluntária da gravidez, mas uma obrigatória dada à gravidade da situação", informou Pellicanò.   

"Eu excluo que um médico possa ter dito o que os familiares da pobre mulher morta acusam, que não queria fazer a operação por objeção de consciência. Se assim fosse, mas eu excluo, seria gravíssimo porque o caso era muito grave. Infelizmente, no caso de Valentina, houve um choque séptico e em 12 horas a situação piorou", acrescentou ainda o chefe do hospital.   

Segundo a versão de Pellicanò, o corpo de Valentina fez um aborto natural do primeiro feto e, vendo a situação, o médico administrou uma dose de ocitocina para forçar o corpo a expelir o outro feto. Após a eliminação dos dois fetos, a mulher foi levada para uma cirurgia, mas faleceu por infecção generalizada.   

Mesmo assim, a Procuradoria de Catania, que investiga o caso, já convocou os 12 médicos que estavam atuando nos dias 15 e 16 de outubro, quando o caso ocorreu e a mulher faleceu.   

O caso ganhou notoriedade na Itália nesta quarta, quando o advogado da família, Salvatore Milluzzo, levou uma ação à Procuradoria acusando o médico do hospital de se negar a fazer o procedimento de aborto. Segundo Milluzzo, o profissional disse que só faria a remoção dos fetos "assim que o coração parasse de bater". (ANSA)
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