Protestos contra muro marcam missa na fronteira do México

CIDADE DO MÉXICO, 7 NOV (ANSA) - Uma missa binacional realizada pelas dioceses de Ciudad Juárez, no México, e por El Paso, nos Estados Unidos, foi marcada por protestos contra a construção de mais muros na fronteira entre as duas nações.   

O local da celebração foi próximo àquele em que o papa Francisco também fez uma cerimônia durante sua visita à nação em fevereiro deste ano. Durante a missa, que reuniu cerca de 300 pessoas de ambos os lados e que foi presidida pelo mexicano René Blanco e pelo bispo norte-americano Mark Seitz, foram lembradas as milhares de pessoas que já morreram buscando uma vida melhor nos EUA.   

Quem também participou da celebração foi o padre Francisco Javier Calvillo, que lidera a Casa do Migrante, e que disse que atualmente "há muitos muros e esses muros começam já pela mente, que vem do coração, que vem das palavras e acredito que esses muros não são bons nem para os imigrantes e nem para a sociedade".   

Na região, há também a representação de um muro de madeira, onde os moradores podem deixar suas mensagens contrárias à construção de mais barreiras na fronteira. "Não para mais muros que matam", "Por um mundo sem muros e sem fronteiras", "Todos os imigrantes são uma riqueza", são algumas das frases escritas no local.   

Apesar de não ter sido feita nenhuma menção pelos religiosos, a missa acabou sendo uma resposta às propostas do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, que já afirmou que construirá um muro na fronteira entre as duas nações e que pretende expulsar os mais de 11 milhões de mexicanos que vivem em território norte-americano.   

A cerimônia, que é celebrada há 19 anos, sempre foi realizada na região de Anapra, mas com a construção de um muro metálico em grande parte da localidade, ela foi transferida para outro ponto, com o rio Bravo fazendo a divisa.   

Segundo dados de ONGs que trabalham com imigrantes locais, 494 pessoas morreram tentando a travessia entre EUA e México em 2015. Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que 315 pessoas morreram ou estão desaparecidas ao tentar fazer a travessia local em 2016. (ANSA)
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