Parlamento húngaro derrota medidas imigratórias de premier

BUDAPESTE, 8 NOV (ANSA) - O governo do premier húngaro Viktor Orbán fracassou na sua tentativa de aprovar uma emenda à Constituição que considerava ilegal a redistribuição de imigrantes pelo sistema de cotas da União Europeia.   

Por apenas dois votos, o Parlamento rejeitou a medida e causou a primeira derrota de Orbán na Casa desde 2010. Com 131 votos favoráveis, o partido do governo Fidesz não conseguiu unir forças para a votação. Apesar de ter conseguido a maioria, a Constituição exige dois terços dos votos para aprovar qualquer tipo de alteração na principal carta de leis do país.   

O governo de Budapeste defendia a inserção na "Lei Fundamental" como uma forma de redefinir o conceito de soberania nacional para criar um futuro obstáculo em negociações e decisões da UE sobre as cotas imigratórias Como era previsto, a derrota do governo foi causada pela falta de apoio da extrema-direita, especialmente do partido Jobbik. A sigla é completamente favorável ao impedimento da entrada de imigrantes. No entanto para aprovar o projeto, a legenda exigiu que Orbán retirasse uma outra medida, que prevê que ricos imigrantes possam "comprar" sua residência no país por cerca de 300 mil euros ao adquirir títulos do tesouro.   

Segundo o Jobbik, a autorização para os estrangeiros ricos permanecerem no país ajudaria aos financiadores de grupos terroristas e, consequentemente, também colocaria a segurança nacional em risco. Como Orbán se recusou a retirar a medida, os parlamentares de extrema-direito se abstiveram da votação.   

O clima tenso entre o Fidesz e o Jobbik foi visto no Parlamento.   

Enquanto os primeiros chamavam os diretistas de "traidores", os membros da sigla estenderam uma faixa em que dizia "traidor é aquele que permite a entrada de terroristas em troca de dinheiro".   

Essa é a segunda vez que Orbán é derrotado ao tentar endurecer as regras contra os imigrantes. No início de outubro, um referendo para propor a mesma lei não atingiu quórum mínimo para ser validado, que era de 50% da população mais um. A afluência naquele dia foi de apenas 43,42%.   

A Hungria lidera o grupo chamado de Viségraad, que conta ainda com Polônia, Eslováquia e República Tcheca, que faz oposição à política de acolhimento aos imigrantes, na maior onda de deslocamentos à Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A postura de Orbán causou uma recente crise com o governo italiano, que ameaçou vetar o orçamento da UE, que será votado no ano que vem, caso os húngaros não acolham os imigrantes.   

Pelo sistema de cotas, Budapeste deveria receber exatos 2.352 refugiados que chegaram à Europa. No entanto, o país se recusa a receber àqueles que estão nos primeiros países a que chegaram, Itália e Grécia, e autorizou a permanência de apenas 513 daqueles que chegaram ao seu território - tendo uma das menores taxas da Europa. (ANSA)
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