Presidentes latinos expressam apoio à Hillary Clinton

SÃO PAULO, 8 NOV (ANSA) - Pela primeira vez em muitos anos, os governos da América Latina estão "alinhados" no desejo de quem querem para comandar os Estados Unidos. Sejam governos de centro-direita ou de centro-esquerda, nenhum dos chefes de Estado se manifestou a favor do republicano Donald Trump.   

Abertamente, a maior parte dos líderes apoiou a democrata Hillary Clinton ou se absteve de fazer comentários - como o presidente da Bolívia, Evo Morales, que diz que será "indiferente" para seu governo quem será o vencedor.   

Morales, inclusive, aproveitou para se manifestar sobre os Estados Unidos em diversos tuítes, em que acusa os norte-americanos de "reconhecer" apenas alguns governos.   

"As democracias reconhecidas pelos EUA, mesmo que sejam criminosas, são as que valem. Outras criadas legitimamente pelo povo são satanizadas. As únicas democracias que valem são as abençoadas pelo império. Processos democráticos anti-imperiais são 'falidos'", escreveu o presidente boliviano ainda dizendo que apenas metade da população vota.   

Nesta terça-feira (8), o jornal oficial de Cuba, o "Granma", criticou os dois candidatos à Presidência e destacou que "nenhum dos dois será capaz de unir o povo norte-americano depois das eleições". No entanto, analistas apontam que, apesar de não aprovar Hillary, os líderes tem "aversão" a Trump.   

Entre as principais lideranças de centro-esquerda, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que "nas questões objetivas, reais, para o bem dos EUA ou pela paz mundial, obviamente, uma pessoa como Hillary Clinton é muito superior".   

A chilena Michelle Bachelet também não escondeu sua preferência e disse preferir a democrata é "uma grande mulher, muito capaz, muito inteligente e muito comprometida". Ao "Buzzfeed News", Bachelet acrescentou que não conhece Trump pessoalmente, mas que é "parcial" ao escolher um lado.   

Entre os líderes mais à direita da América Latina, a postura não é diferente. O presidente argentino, Mauricio Macri, já declarou discretamente seu apoio à Hillary - apesar de ter trabalhado com Trump em Nova York.   

Em coletiva de imprensa na Casa Rosada, na última semana, ele afirmou que "digamos que trabalhei mais com Hillary nos últimos anos [...] e tudo foi muito bem". Macri ainda acrescentou que seu governo opta mais nas "relações e não em levantar muros", em uma crítica às propostas do republicano.   

Já o colombiano Juan Manuel Santos tem uma opinião parecida e disse que valoriza a trajetória da ex-secretária de Estado.   

Santos ainda ressaltou que a democrata sempre apoiou o processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   

Sobre Trump, o mandatário afirma que as visões políticas dele "não estão muito de acordo" com as colombianas.   

Também de centro-direita, o peruano Pedro Pablo Kuczynski criticou as falas do republicano, especialmente, sobre a imigração latina, afirmando que a população da América Latina que foi morar nos EUA ajudou o desenvolvimento da economia.   

No Brasil, o posicionamento ficou neutro. Apesar de assessores do governo de Michel Temer informarem que há torcida para a democrata, publicamente, não houve nenhuma manifestação.   

- México: O país mais afetado em caso de uma vitória de Trump é o México.   

Alvo de diversas acusações do magnata durante a campanha, a fronteira entre as duas nações é uma das maiores promessas do republicano. Lá, Trump quer construir um muro "pago pelo governo mexicano" para impedir a entrada de imigrantes ilegais.   

Enrique Peña Neto tentou manter uma posição equilibrada entre os dois postulantes à Casa Branca, mas acabou se envolvendo em uma confusão com a equipe da democrata e grande parte da população mexicana.   

Isso porque ele convidou o republicano para uma visita oficial ao país, que foi até lá e reiterou que construiria o muro com o dinheiro mexicano. A "tormenta" foi tamanha que gerou a demissão do secretário da Fazenda, Luis Videgaray, que organizou a viagem e causou muitas críticas da população.   

Neto se defendeu dizendo que estava "lutando pelos interesses dos mexicanos", mas o estrago estava feito. A campanha de Hillary se negou a visitar a Cidade do México após a ida de Trump.   

No entanto, é clara a torcida dos líderes políticos e econômicos do país pela ex-secretária de Estado. O presidente do Banco Central mexicano, Agustín Carstens, afirmou que uma vitória do nova-iorquino seria um "furacão" para a economia local. (ANSA)
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