'Não julgo Trump', diz Papa em entrevista

ROMA, 11 NOV (ANSA) - O papa Francisco afirmou em uma entrevista ao jornal italiano "La Repubblica" que "não julga" o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas prefere observar seu comportamento durante o governo.   

"Eu não faço julgamentos sobre pessoas ou figuras políticas. Quero só entender quais são os sofrimentos que eles causam nos pobres e nos excluídos por seu modo de agir", disse ao ser questionado sobre o que pensava do magnata republicano.   

No entanto, ao ser questionado sobre quais são esses sofrimentos que mais o deixam preocupado, o Pontífice mostrou uma posição completamente oposta às promessas da campanha eleitoral do norte-americano.   

Segundo Jorge Mario Bergoglio, sua maior preocupação atual é "a dos refugiados e a dos imigrantes".   

"Infelizmente, muitas vezes, há apenas medidas contrárias das populações que temem ficar sem trabalho e reduzir seus salários.   

O dinheiro é contra os pobres e contra os imigrantes e refugiados, mas também há os pobres dos países ricos, aqueles que temem o acolhimento dos semelhantes provenientes de países pobres. É um ciclo perverso e deve ser interrompido", acrescentou.   

Sem citar um caso específico, o Papa afirmou que é preciso "destruir os muros que nos dividem" e "construir pontes que permitam a diminuição das desigualdades e acrescentam a liberdade e os direitos". "Mais direitos e mais liberdade", destacou.   

Essa não é a primeira vez que o líder católico é questionado sobre o polêmico novo presidente dos Estados Unidos.   

Antes da viagem ao México e aos EUA, no início desse ano, o então pré-candidato à Presidência afirmou que o sucessor de Bento XVI era "muito politizado" e que "não entendia" os problemas de seu país.   

Ao ser questionado sobre a fala, o líder da Igreja Católica disse aos jornalistas que "uma pessoa que pensa em construir um muro, qualquer que seja, em vez de criar pontes, não é cristão.   

Isto não está no Evangelho" - em uma referência à ideia do magnata de construir uma barreira na fronteira entre o México e os EUA. Poucas horas depois dessa fala, no entanto, Trump mudou de opinião e disse que o líder religioso era "maravilhoso".   

(ANSA)
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