Itália confirma ameaça e bloqueia revisão de orçamento da UE

BRUXELAS, 15 NOV (ANSA) - Conforme havia prometido nas últimas semanas, o governo italiano deu o primeiro passo para bloquear as conversas sobre o novo orçamento da União Europeia.   

Nesta terça-feira (15), o subsecretário de Políticas Europeias, Sandro Gozi, "confirmou a reserva" da Itália sobre uma revisão de médio prazo no orçamento plurianual do bloco econômico. O anúncio foi feito pelo próprio político após o Conselho de Assuntos Gerais se reunir em Bruxelas.   

No encontro a portas fechadas, Gozi ressaltou que os italianos "mantiveram sua coerência" porque o governo não considera aceitável fazer uma revisão porque faltam garantias aceitáveis de recursos "a favor de nossas prioridades: imigração, segurança, desemprego entre jovens e programas de incentivo à pesquisa".   

"Com isso, confirmamos nossa reserva sobre a adoção do reexame do orçamento, que sem o acordo da Itália não pode ser adotado porque pede uma decisão unânime", destacou o subsecretário.   

De acordo com ele, além dos aumentos de recursos para os pontos principais, Roma não aceita "absolutamente" corte de investimentos em diversos programas europeus de incentivo à pesquisa e à educação. Além disso, não houve o debate esperado pelos italianos na questão da flexibilidade. "Sobre tudo isso, não consideramos que nós chegamos a um compromisso aceitável e confirmamos que nos opomos à revisão", disse ainda o italiano.   

Ao ser questionado por jornalistas se isso já se tratava de um "veto", Gozi explicou que o termo só pode ser usado em uma votação formal e que o pedido de "reserva" é suficiente para demonstrar oposição.   

Solicitado pela Presidência da Eslováquia, a revisão do orçamento era um primeiro passo para aumentar verbas para alguns países e manejar o dinheiro do bloco econômico para áreas prioritárias. Porém, há duas semanas, o premier Matteo Renzi ameaçou vetar a questão se as outras nações da União Europeia não cumprissem sua parte sobre a questão do sistema de redistribuição de imigrantes.   

Apesar de ter sido aprovado no ano passado, o chamado "sistema de cotas" encontra muita resistência nos países do grupo Visegraad, composto justamente por Eslováquia, República Tcheca e Polônia e que é liderado pelo premier da Hungria, Viktor Orbán. Esse grupo se nega a receber parte do imenso fluxo de imigrantes que chega à Europa através do Mar Mediterrâneo na Itália e na Grécia e diz que os estrangeiros deveriam ser registrados nos países de origem, como prevê o Tratado de Schengen.   

Além disso, o governo de Renzi é um ferrenho defensor de uma maior flexibilidade europeia e da diminuição da chamada política de austeridade para conseguir impulsionar a retomada econômica.   

"Nós não somos populistas, nem nacionalistas. Na realidade, nós estamos muito cansados da ambiguidade e das contradições europeias. Nós estamos muito cansados de uma Europa que diz algumas coisas que depois não faz. Nós estamos muito cansados de uma Europa que é pequena com as grandes causas e grande com as causas pequenas. E nós estamos convictos de que, se a Europa não mudar, estamos perante ao início da desintegração europeia", acrescentou Gozi.   

Segundo ele, tanto a saída do Reino Unido do bloco, o chamado "Brexit", bem como a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, mostram que a "Europa precisa mudar" para "responder às verdadeiras expectativas dos cidadãos".   

- Renzi comenta 'reserva': Durante um evento na Universidade de Catânia, o premier Matteo Renzi falou sobre a atitude do subsecretário na UE. "No dia de hoje, como tínhamos anunciado, colocamos o primeiro veto na discussão sobre o orçamento em Bruxelas. O subsecretário Gozi fez isso em meu nome em Bruxelas", disse o premier ao público local. (ANSA)
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