Na Grécia, Obama faz discurso em defesa da democracia

ATENAS, 16 NOV (ANSA) - Em sua última viagem oficial como presidente dos Estados Unidos, Barack Obama fez nesta quarta-feira (16), na Grécia, um discurso em defesa da democracia.   

Em seu pronunciamento, realizado na Fundação Stavros Niarchos, em Caliteia, na "Grande Atenas", o mandatário norte-americano afirmou que o mundo está em "dívida" pelo país europeu ter lhe dado o "mais precioso dos bens". "Foi exatamente aqui, 25 séculos atrás, sobre as colinas rochosas desta cidade, que emergiu uma nova ideia, a democracia. Daquela ideia deriva a noção de que somos cidadãos, não servidores, o fato de que temos direitos e deveres e a convicção de que somos todos iguais perante a lei, não apenas as maiorias, mas também as minorias", disse.   

Segundo Obama, esses ideais estão sendo "desafiados" e, embora cada país possua seu caminho e suas tradições, o desejo de "ter o controle sobre nossas vidas é universal". "A democracia, como todas as instituições, é imperfeita. Pode ser lenta, frustrante, difícil, caótica. A democracia é um negócio muito complicado, mas nos permite superar as diferenças de maneira pacífica", acrescentou.   

O presidente lembrou que os EUA chegaram a um acordo com o Irã sobre seu acordo nuclear "sem disparar nenhum tiro", se reaproximaram de Cuba e implantaram o Acordo de Paris, mais ambiciosa iniciativa para conter as mudanças climáticas.   

Mas Obama também mandou recados diretos para seu sucessor, o republicano Donald Trump. O primeiro deles é: o compromisso de Washington com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve continuar. Durante a campanha, o magnata prometeu revisar alguns aspectos da presença norte-americana na aliança militar, causando preocupação na Europa.   

Nos últimos anos, a expansão da Otan rumo ao leste tem provocado tensões com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que comemorou a chegada de Trump à Casa Branca. "Estou confiante de que o compromisso com a Otan vai continuar, assim como se manteve no passado, tanto em governos republicanos quanto em democratas", disse o presidente.   

O outro aviso diz respeito à maior crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em seu discurso, Obama louvou os esforços da Grécia para acolher milhares de solicitantes de refúgio e sublinhou a importância de ter uma estratégia global para lidar com a emergência - Trump já prometeu fechar a porta para deslocados sírios quando assumir o poder. "Em nenhum lugar nós vimos mais essa compaixão do que na Grécia.   

A generosidade do povo grego mostrou que só uma responsabilidade coletiva pode garantir que essas pessoas tenham o que precisam", ressaltou.   

O pronunciamento foi feito após uma visita exclusiva ao Parthenon, em Atenas, e encerra a viagem de Obama à Grécia. De lá ele segue para a Alemanha, onde, nesta quinta-feira (17), terá uma reunião com a chanceler Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e os primeiros-ministros da Itália, Matteo Renzi, e do Reino Unido, Theresa May.   

O objetivo da passagem de Obama pela Europa é tranquilizar o continente sobre a eleição de Donald Trump e alertar governos sobre os riscos da austeridade e do populismo. (ANSA)
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