'Merecia ser morta', diz governador sobre líder antimáfia

NÁPOLES, 17 NOV (ANSA) - O governador da região da Campânia, Vincenzo De Luca, se envolveu em uma enorme polêmica nesta quinta-feira (17), ao dizer que a presidente da Comissão Antimáfia da Câmara dos Deputados da Itália, Rosy Bindi, merecia ser "assassinada".   

O caso remete às eleições regionais de 2015, quando o órgão chefiado por Bindi apresentou uma lista censurando a candidatura de diversos políticos, inclusive a de De Luca, que na época tentava se eleger governador.   

Pouco antes, ele havia sido condenado em primeira instância por abuso de poder quando era prefeito de Salerno, mas depois acabou absolvido. "Aquilo que Bindi fez foi uma coisa infame, merecia ser assassinada. Ato de delinquência política, e não tem nada a ver com moralidade, foi um ataque ao governo Renzi", declarou De Luca, em entrevista ao "Canal 5".   

Tanto ele quanto Bindi pertencem ao centro-esquerdista Partido Democrático (PD), que é liderado pelo primeiro-ministro Matteo Renzi, embora sejam de alas opostas. O governador é da linha oficialista, enquanto a presidente da Comissão Antimáfia já até chamou o premier de "cínico" e "arrogante" e o acusou de "arruinar" as raízes de esquerda do PD.   

Apesar disso, Renzi tomou distância das declarações do aliado e afirmou que suas palavras são "totalmente inaceitáveis". "Plena solidariedade a Rosy Bindi", salientou o primeiro-ministro.   

Outros líderes políticos também criticaram De Luca, como a presidente da Câmara, Laura Boldrini.   

"Plena solidariedade à presidente da Antimáfia pelas inaceitáveis palavras pronunciadas por Vincenzo De Luca", escreveu no Twitter. Já o chefe do Senado, Pietro Grasso, cobrou um pedido de desculpas do governador e afirmou que ele deve parar de "imitar um comediante".   

Porém a crítica mais dura veio do vice-presidente da Comissão Antimáfia, Claudio Fava. "De Luca fala como um camorrista.   

Acredito que seu partido deveria se questionar sobre as discutíveis qualidades humanas desse personagem", disse, referindo-se à Camorra, a máfia napolitana - a capital da Campânia é Nápoles.   

Por sua vez, De Luca evitou se desculpar e garantiu não ter nenhum problema com Bindi. "Reconfirmo o meu respeito além de qualquer instrumentalização vulgar. O vídeo representa o enésimo ato de delinquência jornalística", completou o governador, justificando que a declaração foi dada após o fim do programa, quando ele brincava com o apresentador. (ANSA)
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