Premier da Itália garante que renunciará se perder referendo

ROMA, 17 NOV (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, voltou hoje (17) a ameaçar que deixará o governo caso perca no referendo convocado para 4 de dezembro. "Ou muda tudo ou, se quiserem continuar pairando, procurem outra pessoa ou fiquem sozinhos", disse Renzi em entrevista à imprensa. "Se os cidadãos votarem 'não' no referendo e preferirem um sistema decrépito que não funciona, não posso ser aquele que se colocará de acordo com outras partes para criar um governinho". O primeiro-ministro, de 41 anos, assumiu o governo da Itália em fevereiro de 2014 com a promessa de fazer uma série de reformas.   

Renzi já conseguiu aprovar reformas financeira, trabalhista e escolar. Agora, ele enfreta seu maior desafio, que é aprovar em referendo uma reforma constitucional. A proposta prevê a mudança do Parlamento (o Senado perde os poderes e passa a ser um órgão consultivo, deixando os temas principais para aprovação somente na Câmara dos Deputados), a criação de um prazo para cada projeto de lei ser analisado na Casa, a extinção das províncias da Itália, entre outras coisas.   

"Eu não estou disposto a ajoelhar diante da velha política. Não consigo ficar preso a uma poltrona só pelo gosto de manter a poltrona. Estou aqui para mudar as coisas", disse. "O dia 5 de dezembro não será o Armagedon. Se o 'não' vencer, ficará tudo como é agora. Os italianos não podem se importar com o que estes políticos dizem, eles tentam encontrar um pretexto para conservar seus privilégios que sempre tiveram", afirmou o premier.   

A reforma constitucional de Renzi tem sido criticada por vários partidos políticos, inclusive por uma ala de sua própria legenda, o Partido Democrático (PD). O premeir também convidou os opositores Beppe Grillo, do Movimento 5 Estrelas (M5S), e Silvio Berlusconi, do Forza Itália, para um debate em público. "A 15 dias da votação, destaco que eu gostaria de fazer um cara-a-cara com Berlusconi e Grillo, que são os líderes dos dois principais partidos. Podemos fazer isso no rádio, na TV. O problema não é onde fazer, mas sim, eles aceitarem". (ANSA)
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