Nos mil dias de governo,Renzi diz que ainda há muito a fazer

ROMA, 18 NOV (ANSA) - O governo do primeiro-ministro, Matteo Renzi, completou mil dias nesta sexta-feira (18) e tornou-se o quarto mais longo da história da Itália.   

Segundo o premier, esse período iniciado no dia 22 de fevereiro de 2014 é "um ponto de partida". "A Itália não é mais um problema da União Europeia, mas há ainda muito por fazer. Tantas leis foram aprovadas, mas ainda há muito para trabalhar sobretudo na questão do desemprego entre os jovens", comentou o líder do governo italiano ao "Tg1".   

Com a marca de hoje, Renzi fica atrás apenas do primeiro governo de Bettino Craxi, que ficou no poder entre 4 de agosto de 1983 e 27 junho de 1986, totalizando, 1.058 dias, e dos dois governos de Silvio Berlusconi - 1.283 dias entre 8 de maio de 2008 e 12 de novembro de 2011 e 1.409 dias entre 11 de junho de 2001 e 20 de abril de 2005.   

No entanto, apesar de conseguir permanecer "muito" tempo no poder para os padrões italianos, Renzi recebeu uma má notícia nesta sexta. A duas semanas do referendo constitucional, que será votado no dia 4 de dezembro, a vitória do "não" à reforma na política do país aumentou a vantagem.   

Segundo um levantamento do instituto Demos a pedido do jornal "La Reppublica", o "Não" aparece com 41% da preferência contra 34% do "Sim", uma alta de 7% na comparação com um levantamento feito em outubro. Em apenas dois meses, segundo o periódico, a vitória do "Não" avançou 15 pontos percentuais.   

Ontem (17), Renzi voltou a reafirmar em entrevista que irá renunciar ao cargo se perder o referendo. "Ou muda tudo ou, se quiserem continuar pairando, procurem outra pessoa ou fiquem sozinhos. Se aos cidadãos votarem 'não' no referendo e preferirem um sistema decrépito que não funciona, não posso ser aquele que se colocará de acordo com outras partes para criar um governinho", afirmou em coletiva.   

Entre outros pontos, o referendo promove uma grande mudança na questão do Senado italiano. Para evitar, justamente, a constante troca de governo na Itália - que tem um premier diferente a cada dois anos em média - a reforma prevê o fim da bicameralidade paritária, ou seja, o Senado perde a função de derrubar governos e torna-se um conselho mais "regional". Com isso, os 315 senadores serão substituídos por 100 políticos que tem um cunho mais voltado para cada região e não receberão salários para a função.   

Já a Câmara dos Deputados, que seria a Casa mais "poderosa" nesse sistema, ainda teria que cumprir prazos para votar propostas, mas seria o único órgão legislativo a ter a prerrogativa de destituir o governo. Além disso, a reforma prevê o fim das províncias e o presidente do país passa a ter mais poderes.   

Entre os maiores opositores de Renzi ao projeto está o Força Itália, de Silvio Berlusconi, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), de Beppe Grillo, e o xenófobo Liga Norte, de Matteo Salvini.   

- Governo Renzi Desde que assumiu, em fevereiro de 2014, Renzi cumpriu algumas de suas maiores promessas, efetuando reformas em setores considerados críticos da Itália - que acabou de sair de uma recessão de cerca de seis anos.   

Entre os principais pontos, estão a "Jobs Act", a reforma trabalhista que conseguiu apresentar bons resultados econômicos e que foi implantada em março de 2015. Entre outros pontos, ela flexibilizou as regras para demissões sem justa causa e acabou com a reintegração de funcionários mandados embora sem motivo justificado.   

Já a reforma escolar, chamada de "La Buona Scuola" ("A Boa Escola"), foi implantada a partir de maio do ano passado. Ela introduziu disciplinas opcionais no ensino médio e aumentou a autonomia dos colégios, dando maior liberdade aos diretores para gerir os edifícios, desenvolver projetos de formação, contratar funcionários e administrar os recursos à disposição da escola. Renzi ainda conseguiu aprovar uma nova "lei eleitoral", que entrou em vigor em julho deste ano, que tem como principais pontos, a concessão de um "prêmio de maioria" ao partido ou coalizão que obtiver 40% dos votos em um eventual pleito e a fixação da cláusula de barreira para legendas entrarem no Congresso em 3% das cadeiras. (ANSA)
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