Papa nomeia 17 novos cardeais e pede união na Igreja

CIDADE DO VATICANO, 19 NOV (ANSA) - O papa Francisco realizou neste sábado (19), às vésperas do fechamento do Jubileu da Misericórdia, seu terceiro consistório em que elevou a cardeais 17 novos religiosos. Entre eles, está o monsenhor Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília.   

Na homilia da missa do consistório, o Pontífice alertou sobre o "vírus da polarização" e disse que, apesar de todos serem diferentes, é preciso não ser "inimigo" dentro da Igreja.   

"Nós viemos de terras distantes, temos costumes, cores de pele, línguas e condições sociais diversas. Pensamos de maneiras diferentes e celebramos a fé também com ritos diferentes. E nada disso nos torna inimigos, ao contrário, é um de nossas maiores riquezas", disse o Pontífice.   

Segundo o Papa, há no mundo "o vírus da polarização e da inimizade permanente aos nossos modos de pensar, de sentir e de agir. Não estamos imunes a isso e precisamos estar atentos para que tal comportamento não tome conta de nosso coração porque iria contra a riqueza e a universalidade da Igreja".   

A fala de Francisco é uma crítica velada aos recentes momentos de tensão entre os cardeais. Nesta semana mesmo, foi tornada pública uma carta de questionamentos ao Papa por cardeais conservadores, liderados pelo norte-americano Raymond Leo Burke.   

O grupo ameaçou fazer uma "correção" na exortação "Amoris laetitia" ("A alegria do amor") divulgada por Jorge Mario Bergoglio em abril deste ano e que apresenta uma abertura maior aos católicos divorciados que estão em uma segunda união.   

Em entrevista publicada pelo jornal católico "Avvenire", o líder da Igreja disse que essas críticas "não tiram seu sono", mas segundo vaticanistas, a tensão entre os conservadores e Francisco está ficando cada vez maior. Esse seria o motivo, aliás, do sucessor de Bento XVI não ter feito dois dias de encontros com os novos cardeais antes do consistório, como ocorreu nos dois eventos anteriores liderados por ele.   

Ainda na homilia, o Papa fez um apelo para que os novos cardeais continuem a escutar os apelos de Jesus para "viver nossa vida apoiando as esperanças do nosso povo, como sinais de reconciliação". "Como Igreja, continuamos a ser convidados a abrir os nossos olhos para curar as feridas de tantos irmãos e irmãs privados de sua dignidade, privados de sua dignidade, privados de sua dignidade", repetiu o Santo Padre.   

- Nomeações: Dos 17 novos cardeais de Francisco, 13 deles terão direito a voto em um possível conclave - quando é eleito um novo Pontífice para a Igreja Católica. Assim como nos dois consistórios anteriores, Bergoglio optou por "descentralizar" as escolhas da Europa e nomeou novos cardeais latino-americanos, asiáticos e africanos em um número maior que seus antecessores.   

Com as nomeações de hoje, Francisco já indicou 44 dos 121 cardeais que podem votar. Mas, esse número diminuirá para 120 no dia 28 de novembro, quando o cardeal senegalês Sarr completará 80 anos e deixará de estar apto ao voto.   

Agora, são 121 cardeais eleitores e 107 não eleitores na Igreja Católica, dos quais 112 são europeus (54 eleitores), 62 das Américas do Norte, Central e do Sul (sendo 34 votantes), 24 da África (15 eleitores), 24 da Ásia (14 votantes) e 6 da Oceania (4 eleitores).   

- Encontro com Ratzinger: Após a cerimônia de nomeação, o Papa e os 17 novos cardeais foram à capela do ex-convento Mater Ecclesiae, onde foram abençoados pelo papa emérito Bento XVI.   

Nas imagens divulgadas pela Central Televisiva do Vaticano (CTV), é possível ver que Bergoglio abraçou Joseph Ratzinger, em gesto repetido por todos os novos cardeais. A benção ocorreu após uma oração na capela e, apesar de aparentar estar ainda mais magro, o papa emérito estava muito sorridente e participando de todos os atos. (ANSA)
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