Durante Jubileu, Papa exaltou pobres, imigrantes e excluídos

SÃO PAULO, 20 NOV (ANSA) - Por Tatiana Girardi - Nos quase 350 dias de Jubileu da Misericórdia, o papa Francisco fez dezenas de gestos simbólicos para aproximar-se dos mais pobres e dos excluídos pela sociedade.   

A começar pela abertura da primeira Porta Santa.   

Tradicionalmente, a abertura do evento ocorre na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Mas, com sua meta de descentralizar a Igreja Católica, o Pontífice fez uma abertura "informal" em Bangui, na República Centro-Africana, no dia 29 de novembro.   

A 10 dias da abertura oficial do Ano Santo Extraordinário, ocorrido no dia 8 de dezembro, Jorge Mario Bergoglio aproveitou sua viagem pela África para abrir um dos eventos mais importantes da instituição católica.   

Na abertura oficial, em 8 de dezembro, o Papa autorizou o evento "Fiat Lux", em que imagens de animais e de pessoas de vários países do mundo foram projetadas nas paredes dos prédios da Praça São Pedro, em mais um evento para lembrar da importância de cuidar da natureza e das "criaturas de Deus", tema muito caro ao Pontífice. Vale lembrar ainda sua preocupação com seu antecessor, Bento XVI, que foi um dos primeiros a atravessar a Porta Santa do Vaticano.   

Um dos eventos mais marcantes, no entanto, foi a canonização de Madre Teresa de Calcutá, ocorrido no dia 4 de setembro, e que reunião milhões de pessoas na Praça São Pedro.   

- Imigrantes: Mostrando sua preocupação com os imigrantes e com os mais pobres, Francisco abriu pessoalmente a Porta Santa da ONG católica Caritas em Roma. Em outro gesto em favor dos deslocados, a cerimônia do Lava Pés foi feita com pessoas de todo o mundo que chegaram à Itália através da travessia do Mar Mediterrâneo.   

Na luta pela proteção dos imigrantes, o Papa celebrou uma missa em Ciudad Juárez, na fronteira entre o México e os Estados Unidos, para lembrar o drama da imigração.   

A cidade mexicana é famosa mundialmente pelas milhares de pessoas que tentam ingressar em território norte-americano ilegalmente e um dos locais que registram centenas de mortes de imigrantes.   

Ao lado do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, Bergoglio celebrou uma missa na ilha grega de Lesbos, uma das principais entradas dos imigrantes ilegais na Europa. Além de rezar no local, o líder católico voltou para o Vaticano com famílias sírias que estavam aguardando asilo na Europa - em gesto que foi repetido nos meses posteriores.   

- Celebrações especiais: Entre 8 de dezembro e 20 de novembro, o sucessor de Bento XVI fez celebrações especiais voltadas para os mais diferentes tipos de públicos.   

Houve celebrações com empresários, com esportistas, com as mulheres, com as congregações religiosas, com os jovens - quando apareceu de surpresa em um praça para confessar os adolescentes -, com os sem-teto, com os doentes e com os idosos. O Papa chegou até a acariciar um tigre durante o Jubileu para os artistas de circo no Vaticano.   

Reforçando sua preocupação com os presidiários, o Papa fez também uma celebração especial para eles no Vaticano e ressaltou a importância do perdão na vida dos cristãos.   

- Ecumenismo e viagens internacionais: Durante o evento, o Papa também incentivou a união das mais diferentes vertentes religiosas. Ele visitou a Sinagoga de Roma, em janeiro deste ano, teve um encontro com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, em Cuba, em um abraço que marcou a reaproximação entre as duas instituições após mais de mil anos.   

Em mais um gesto de aproximação,desde um incidente com o papa emérito Bento XVI, Bergoglio se encontrou com o líder sunita da mesquita de al-Azhar, o imã Ahmed al-Tayeb.   

Também voltou a se envolver em uma polêmica com a Turquia, por chamar de "genocídio" a morte de milhares de armênios no início do século passado. Em visita à Armênia, o Papa escreveu no memorial do genocídio.   

Um dos pontos altos do Jubileu foi a visita do papa Francisco aos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, na Polônia, onde pediu "perdão" por tanta crueldade no mundo. A Polônia também marcou a segunda participação do Pontífice na Jornada Mundial da Juventude, ocorrida em Cracóvia.   

Um dos pontos alto do ecumenismo foi a participação do Santo Padre no evento inter-religioso em Assis, que marcou os 30 anos da primeira aproximação oficial da Igreja Católica com religiões e crenças de todo o mundo.   

No fim de setembro, ele se reuniu com membros da comunidade ortodoxa da Geórgia em uma comovente oração pela paz no Iraque e na Síria. Poucos dias depois, ele foi ao Azerbaijão onde rezou na mesquista de Baku ao lado do grã-mufti Allahshukur.   

No fim de outubro, mais um gesto em prol da união religiosa.   

Francisco tornou-se o primeiro Papa a participar das celebrações pela Reforma Protestante em Lund, na Suécia. Na ocasião, eram celebrados os 500 anos da separação entre luteranos e católicos.   

(ANSA) CONTINUA
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