Cresce hipótese de falta de combustível em avião da Chape

SÃO PAULO, 30 NOV (ANSA) - Embora as autoridades colombianas ainda não tenham se pronunciado oficialmente sobre as possíveis causas da queda do avião da Chapecoense, ganha cada vez mais força a hipótese de falta de combustível.   


Indícios revelados nas últimas horas apontam que a aeronave RJ-85 da empresa boliviana Lamia pode ter sofrido uma pane seca a apenas cinco minutos do aeroporto José María Córdova, em Rionegro, mas que serve Medellín, destino final da Chape.   


Em entrevista à rádio "Caracol", um piloto da Avianca que voava pela região revelou parte do diálogo entre a tripulação do avião da equipe catarinense e a torre de comando. Segundo esse relato, o comandante da Lamia, Miguel Quiroga, que também era sócio da empresa, pediu prioridade no pouso por falta de combustível.   


No entanto, o aeroporto informou que outra aeronave, da empresa VivaColombia, já estava fazendo uma aterrissagem de emergência.   


Em seguida, o piloto do avião da Chapecoense também declarou emergência e recebeu autorização para pousar na pista 1. Poucos instantes depois, Quiroga disse que estava com falha elétrica "total", e o avião sumiu dos radares.   


Segundo especialistas, a pane seca é uma das causas de problemas elétricos em aeronaves. Em seu perfil no Facebook, a brasileira Maysa Ramos Brito, que estava no voo da VivaColombia, contou que o piloto de seu avião havia anunciado um pouso de emergência no aeroporto José María Córdova por possível vazamento de combustível.   


"No meio de toda a confusão, ficamos sabendo da queda do outro avião. A policial informou que infelizmente eles não conseguiram pousar porque já estávamos na prioridade de emergência, ou seja, já estávamos pousando, e eles tinham que esperar meu avião chegar ao solo", relatou Brito.   


Além disso, o fato de não ter havido explosão mostra que os tanques da aeronave estavam vazios. A autonomia do avião da Lamia era de aproximadamente 3 mil km, quase a mesma distância em linha reta entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín, o trajeto percorrido pela Chapecoense.   


Os protocolos da aviação civil estabelecem que uma aeronave deve levar combustível suficiente para concluir sua rota, eventuais esperas no ar e possíveis desvios. No entanto, ainda que estivesse com os reservatórios completos, o RJ-85 chegaria ao aeroporto de Rionegro no limite.   


De acordo com o plano de voo, o avião poderia pousar em Cobija, na Bolívia, ou Bogotá, na Colômbia, para reabastecer, mas não o fez. Fontes citadas pelo jornal "El Tiempo" dizem que havia quatro aeronaves para aterrissar no José María Córdova, sendo que o da VivaColombia tinha a prioridade e o da Lamia seria apenas o terceiro ou quarto.   


De uma hora para outra, segundo o diário, o comandante Quiroga começou a pedir, aos gritos, autorização para aterrissar. Ele teria declarado emergência quando já estava em processo de descida. Quando a aeronave sumiu dos radares, voava a 9 mil pés de altitude, em um trecho montanhoso onde os aviões passam a pelo menos 10 mil pés.   


Um dos objetivos dos investigadores é descobrir se a Lamia cumpriu os protocolos internacionais, que obrigam todos os voos a terem combustível reserva para realizar manobras de segurança, como um desvio de aeroporto.   


Também em entrevista ao jornal "El Tiempo", o diretor da companhia aérea, Gustavo Vargas, reconheceu que, de Santa Cruz de la Sierra, a aeronave teria que parar em Cobija ou Bogotá para reabastecer. "Pelo visto, se o piloto continuou, então podia. Ele seguiu, e aconteceu essa catástrofe", acrescentou.   


A tragédia deixou 71 mortos, incluindo 19 jogadores da Chapecoense, dirigentes, o técnico Caio Júnior e sete tripulantes. (ANSA)
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