'Em 48h definiremos os próximos 20 anos', diz Renzi

PALERMO, 2 DEZ (ANSA) - O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, afirmou nesta sexta-feira (2) que os italianos definirão os "próximos 20 anos" quando forem votar no referendo sobre a reforma constitucional no próximo domingo (4).   

"Nós jogaremos em 48 horas o futuro dos próximos 20 anos. Os mesmos políticos que não fizeram nada em 30 anos, vem agora dizer que farão as reformas em seis meses", disse Renzi na abertura do evento "Basta um sim" em Palermo. Mesmo com as pesquisas de opinião mostrando uma leve vantagem do "não", de acordo com o "YouTrend" em 18 de novembro, 53% dos entrevistados rejeitaram a reforma, o premier se mostrou confiante com o resultado das urnas.   

"O resultado do referendo está totalmente aberto e está aberto porque muitíssimas pessoas estão indecisas, já que estão indo até o fim para entender o conteúdo da reforma. Os cidadãos decidirão se votarão 'sim' ou 'não' com base na maneira que usaremos para fazer a verdade aparecer e desmascarar as mentiras e as histórias inventadas desses dias", disse ainda.   

Perante às centenas de pessoas em Palermo, Renzi voltou a reafirmar que "pode deixar [o governo] na segunda-feira de manhã", mas que acredita que haverá "um único" resultado: "nós venceremos".   

Apesar de ser uma votação sobre a Constituição, o referendo pode definir uma mudança de governo na Itália. Por mais de uma vez, Renzi afirmou que irá renunciar ao cargo se perder na votação - o que poderia trazer ainda mais instabilidade para o país.   

Por isso, os adversários do premier veem no referendo uma maneira de tirá-lo do poder após pouco mais de dois anos e meio de governo.   

- Protestos: A presença de Renzi em Palermo provocou uma manifestação próxima ao teatro Politeama, local onde foi feito o comício pelo "sim".   

Cerca de 50 estudantes protestavam e chegaram a criar uma confusão com os policiais que estavam fazendo a segurança do local.   

Com cartazes com frases "Fora Renzi", "Digamos 'não' a Renzi, os manifestantes queimaram ainda um boneco com a forma do premier.   

Segundo a polícia, uma pessoa foi presa por agredir um agente com um soco.   

- Entenda: Fruto de dois anos de discussões e idas e vindas no Parlamento, a chamada "Lei Boschi" reescreve boa parte da Constituição italiana, principalmente aquela referente ao sistema político.   

Se for aprovado, o projeto determinará o fim do bicameralismo paritário no país. O que isso significa? Que apenas a Câmara dos Deputados continuará com o papel de aprovar leis e votar a confiança ao governo. Já o Senado, apesar de manter seu nome, será transformado em uma espécie de "câmara das autonomias", com funções muito menores que as atuais.   

Assim, os 315 senadores de hoje serão substituídos por 74 conselheiros regionais (cargo semelhante ao de deputado estadual no Brasil) e 21 prefeitos, todos escolhidos pelas Assembleias Legislativas de cada Região, segundo indicações dadas pelos eleitores nas urnas. Outros cinco membros serão nomeados pelo presidente da República para um mandato de sete anos, totalizando 100 "senadores".   

Nenhum deles receberá salário, apenas os vencimentos relativos aos seus cargos originais. Ou seja, se um prefeito for escolhido para o Senado, ganhará somente os honorários municipais. Nesse novo sistema, a Câmara Alta não terá a prerrogativa de derrubar ou empossar governos, porém seguirá decidindo sobre mudanças constitucionais, tratados internacionais e referendos populares.   

A reforma também abolirá a figura das províncias, ente subordinado ao Ministério do Interior e que está entre os municípios e as Regiões. Outros pontos importantes são a criação de prazos para que o Parlamento vote projetos de lei e a definição explícita das funções dos governos nacional e regionais. (ANSA)
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