Filhos são mais pobres que pais e avós na Itália, diz Censis

ROMA, 2 DEZ (ANSA) - Pela primeira vez em anos, os filhos estão mais pobres que seus pais e até que seus avós na Itália. É o que aponta o 50º relatório do Centro de Estudos de Investimentos Sociais (Censis, na sigla em italiano) que registrou um "KO econômico dos millenials", ou seja, um golpe fatal em relação aos salários da geração Y, pessoas que nasceram na década de 1980. Segundo a pesquisa, essa geração tem uma "renda 15,1% inferior em relação à média dos cidadãos" italianos e uma riqueza familiar que, para os núcleos formados por pessoas com menos de 35 anos, é quase a metade da média, ou seja, 41,2% menor.   

Comparando esses dados com os de 25 anos atrás, de 1991 a 2014, os atuais jovens e jovens-adultos têm uma renda 26,5% menor atualmente, enquanto para o resto da população a diminuição foi de apenas de 8,3%. Além disso, outra surpresa apresentada pelo Censis é que para os idosos acima de 65 anos a renda aumentou 24,3% neste período. A renda média das pensões passou de 14.721 euros para 17.040 euros entre 2008 e 2014 (+5,3%) e 4,1 milhões de aposentados "prestaram uma ajuda financeira a outros". Os novos pensionistas então são mais idosos e tem uma média de renda maior devido as suas carreiras "mais longas e continuadas". Entre 2004 e 2013, aliás, também chegou a quadruplicar o número de pessoas que entraram na aposentadoria após 40 anos de contribuição econômica, passando de 7,6% para 28,8% em 9 anos. Além da renda, a pesquisa também analisou a população italiana em outros aspectos e setores, como do empreendedorismo, da tecnologia e até em relação a comportamentos cotidianos, como o uso ou não de carros no dia-dia.   

Itália na "segunda era do abismo" - De acordo com o Censis, a Itália está vivendo uma "prolongada e ineficaz suspensão, onde as manobras [econômicas] pensadas sucessivamente e de maneira ofegante não obtiveram os resultados esperados". Neste contexto, segundo a pesquisa, na situação social do país surgiu uma "segunda era de abismo". Esse fenômeno é diferente do da década de 1970 que, mesmo com essa "imersão" econômica, abriu "uma saga de desenvolvimento industrial e de empreendedorismo". Desta vez, essa "era" é "pós-terciária", ou seja, mais estática que produtiva, que não investe e que acaba realizando trabalhos que não geram um grande crescimento do PIB italiano. Sendo assim, os trabalhadores, em sua maioria jovens, acabam ficando "no mercado dos bicos", "na área dos profissionais não qualificados" e "no limbo do trabalho quase regular". Startups criativas e inovadoras continuam crescendo - Mesmo com a "era pós-terciária" que a Itália enfrenta, com o grande número de "bicos" e de trabalhadores informais ou não qualificados, a pesquisa deste ano do Censis mostra que, em menos de três anos, as startups inovadoras e criativas mais que triplicaram. As "startups inovadoras inscritas na seção especial do Registro das Empresas" passaram de "1.486 em 2013 para 6.323 até o fim de setembro de 2016". No primeiro semestre de 2015, as empresas que fecharam suas portas representaram menos de 1% do total. As grandes cidades, principalmente Milão, Nápoles, Bolonha e Florença, contam com 37% das empresas, quase 50% dos "encubadores de projetos" e mais de 20% dos fablabs nacionais. Corte de gastos em quase todos os setores - Como em anos passados, a pesquisa do Censis apontou que os italianos estão se esforçando para evitar gastos e desperdícios, consumindo menos e, para 51,7% da população, fazendo ainda mais cortes nas áreas de moradia e alimentação. Além disso, o futuro não é visto com tanta esperança e confiança como era nos anos anteriores. Dispositivos e mídias digitais continuam em alta - Mesmo fazendo cortes em várias áreas, os italianos continuam gastando em dispositivos e mídias digitais sendo que, em 2016, o uso da internet pelos italianos chegou a 73,7%, o que para os jovens com menos de 35 anos chegou a 95,9%. De acordo com o Censis deste ano, 64,7% dos italianos usam um smartphone para se comunicar, 61,3% deles têm o aplicativo WhatsApp, 56,2% deles contam com um perfil no Facebook e 46,8% deles gostam ver vídeos no Youtube. O Twitter é a única plataforma que vai contra essa tendência, tendo como usuários na Itália apenas 11,2% da sua população. Para os italianos, as principais funções da internet são se informar, assistir a filmes e jogos de futebol, agendar viagens, comprar bens, realizar operações bancárias e entrar em contato com pessoas. Carro ainda é o centro da mobilidade dos italianos - O carro continua a estar entre as principais escolhas dos italianos na hora de se locomover. Ele é usado em 60,8% dos trajetos diários, com um aumento de 2,1% nos últimos 10 anos, de acordo com o Censis. No entanto, as emissões de gás carbônico diminuíram, passando de 144,3 gramas por quilômetro em 2008 para 114,8 gramas por quilômetro em 2015. Além disso, o número de veículos híbridos e elétricos nas ruas têm aumentado, sendo que 65,1% da população se diz interessado em modelos que poluem menos e que causem menos prejuízos para o meio-ambiente. (ANSA)
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