Le Pen celebra e renúncia de Renzi é sentida em toda UE

ROMA, 4 DEZ (ANSA) - A renúncia do primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, logo após sua reforma constitucional ser derrotada em um referendo popular, já começou a repercutir na União Europeia (UE). Há meses, analistas políticos acreditavam que o referendo, apesar de tratar de mudanças no sistema político, seria um termômetro do ânimo dos italianos e, consequentemente, dos europeus, em um momento em que crescem os movimentos nacionalistas de extrema-direita e o populismo no continente. Na França, a líder da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, disse que o voto dos italianos aponta que eles "repudiaram a UE e Renzi". "É preciso escutar esta sede de liberdade das nações e de autodefesa", disse a política, que é o maior nome da oposição atual da França, contrária ao projeto do bloco europeu e favorável à saída da UE.   

Le Pen tem conquistado cada vez mais os franceses, que vivem contradições em relação à crise imigratória, às dificuldades da economia mundial, ao terrorismo e aos problemas sociais. Os eleitores franceses irão às urnas no ano que vem para eleger um novo presidente.   

"Respeito a decisão de Renzi de renunciar após o resultado negativo no referendo na Itália. Homenageio o primeiro-ministro pelo seu dinamismo e suas qualidades colocadas a serviço de reformas corajosas para seu país", disse, em um comunicado, o atual presidente francês, François Hollande, do Partido Socialista. "Espero que a Itália encontre em si mesma os recursos para superar esta situação", comentou.   

Renzi, da legenda de centro-esquerda Partido Democrático (PD), assumiu o governo em 2014 com a promessa de realizar uma série de reformas: trabalhista, escolar, previdenciária, política e constitucional. As primeiras ele conseguiu aprovar no Parlamento, mas a reforma que altera a Constituição do país foi colocada em referendo e rejeitada pelo voto popular.   

Este foi o segundo referendo importante na União Europeia em 2016. O primeiro ocorreu no Reino Unido e, chamado de "Brexit", determinou a saída do país da União Europeia. O Brexit abriu uma fase nacionalista na Europa que ganhou forças com a recém-eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. A derrota de Renzi no referendo da Itália é mais um sinal do fortalecimento do populismo de extrema-direita na Europa e coloca Bruxelas em alerta para um possível "efeito dominó". Além da França, a Alemanha e a Holanda terão eleições em 2017.   

Caso a extrema-direita vença em Paris e Berlim, pilares de sustentação política e articulação da UE, o bloco poderá chegar ao fim. (ANSA)
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