O plano de Berlusconi para 'sair por cima'

ROMA, 05 DEZ (ANSA) - Impedido de ocupar cargos públicos até 2019, o ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi tem em sua frente uma grande oportunidade de voltar ao centro das atenções no país, como uma espécie de "último" ato de seus mais de 20 anos de carreira na política.   

A derrota do premier Matteo Renzi no referendo constitucional deste domingo (4) e sua consequente renúncia deixaram nas mãos do presidente Sergio Mattarella a decisão de antecipar ou não as eleições legislativas para 2017. No entanto, para isso, o Parlamento precisará primeiro aprovar uma nova lei eleitoral.   

A Itália vive atualmente em um limbo que dificulta a possibilidade de ir às urnas antecipadamente. A lei eleitoral do país foi declarada inconstitucional pela Justiça, e aquela aprovada pelo governo Renzi está diretamente ligada à reforma rejeitada neste domingo, já que vale apenas para a Câmara dos Deputados.   

Portanto, nenhuma das duas pode ser usada em uma eventual votação, e é aí que entra Berlusconi. Na Câmara, o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), liderado pelo premier, possui maioria para aprovar um projeto sozinho, mas no Senado a divisão é mais fragmentada e será preciso encontrar um acordo com o Força Itália (FI), partido do ex-primeiro-ministro, ou com o populista Movimento 5 Estrelas (M5S).   

Como o M5S se recusa a fazer alianças com os "políticos tradicionais", a saída do PD pode ser se aliar novamente a Berlusconi para aprovar a lei eleitoral. Isso já aconteceu no passado, com o famoso "pacto do Nazareno", em referência ao nome da rua onde fica a sede do Partido Democrático, em Roma.   

Acertado pessoalmente entre Renzi e o ex-premier, o acordo tinha justamente o objetivo de aprovar uma lei eleitoral. Quando o projeto passou no Senado, o primeiro-ministro ignorou Berlusconi na escolha do novo presidente da República e deu a entender que não precisava mais de seus votos. O ex-Cavalieri ficou furioso e deu o pacto por rompido.   

Agora, amparado pelo resultado do referendo, Berlusconi pode propor uma nova aliança ao PD, porém mais favorável a ele e ao Força Itália, partido que vem sofrendo com a ascensão da extrema-direita no país.   

"O PD tem a maioria e o dever de fazer um outro governo, mas sem Renzi", indicou Renato Brunetta, líder do FI na Câmara. Aos 80 anos, Berlusconi não mostra mais o mesmo encanto pela política - muito em função dos inúmeros processos judiciais aos quais responde. Garantir que sua legenda mantenha a relevância e reúna condições de obter um bom resultado nas eleições antecipadas seria uma forma de sair de cena com uma vitória no bolso. (ANSA)
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