Presidente da Itália pede para Renzi adiar renúncia (2)

ROMA, 05 DEZ (ANSA) - O presidente da Itália, Sergio Mattarella, pediu nesta segunda-feira (5) para o primeiro-ministro Matteo Renzi adiar sua renúncia até a aprovação da lei orçamentária de 2017.   

Os dois se reuniram por aproximadamente meia hora no Palácio do Quirinale, sede da Presidência da República, em Roma. Segundo Mattarella, é preciso "terminar o processo parlamentar para a aprovação da lei orçamentária".   

Por isso, "a fim de evitar os riscos" de um "governo provisório", solicitou que Renzi permaneça no cargo até a conclusão da votação. O orçamento da Itália para 2017 já foi aprovado pela Câmara, mas ainda precisa do aval do Senado, onde a base aliada possui uma maioria estreita.   

O primeiro-ministro decidiu renunciar após a população rejeitar, por um placar de 60% a 40%, sua reforma constitucional no referendo do último domingo (4). Renzi apostou todo o seu capital político no projeto, que reduzia o tamanho do Senado e promovia uma série de mudanças na Constituição italiana.   

Nesta segunda-feira, o premier reuniu seu gabinete no Palácio Chigi, também em Roma, e agradeceu a seus ministros "pela colaboração e pelo espírito de equipe demonstrado nesses anos de governo. Em seguida, como manda o protocolo, se dirigiu ao Quirinale para entregar a carta de renúncia.   

Nesses casos, a decisão final é sempre do presidente da República, que pode aceitar o pedido e iniciar consultas para formar um novo governo, dissolver o Parlamento e convocar eleições ou até mesmo manter o premier para um gabinete de objetivo definido, como a aprovação do orçamento.   

Se essa lei não receber o aval do Congresso até o fim do ano, a Itália pode começar 2017 com suas finanças paralisadas, o que afetaria sua retomada econômica, que já é mais lenta do que o esperado.   

A decisão de segurar Renzi no cargo, ainda que temporariamente, deve irritar parte da oposição, principalmente o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga Norte, que pedem eleições imediatas. (ANSA)
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