Conheça os possíveis sucessores de Renzi na Itália

SÃO PAULO, 06 DEZ (ANSA) - Apesar de ter aceitado adiar sua renúncia, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, está determinado a deixar o cargo assim que o orçamento de 2017 for aprovado pelo Parlamento, o que deve acontecer ainda nesta semana.   

No papel de presidente da República, Sergio Mattarella estaria disposto a manter o premier até o fim da atual legislatura, em 2018, mas Renzi não se mostra disposto a voltar atrás. Como a hipótese de dissolver o Congresso e convocar eleições imediatas parece descartada, o chefe de Estado consultará todas as forças políticas para designar um novo primeiro-ministro.   

O centro-esquerdista Partido Democrático (PD), liderado por Renzi, detém a maioria na Câmara e o maior número de cadeiras no Senado. Sendo assim, é inevitável que o chefe de governo tenha bom trânsito na sigla - ninguém conseguiria formar um gabinete sem o apoio do PD.   

Veja abaixo quais são os nomes mais cotados no momento para assumir o Palácio Chigi: Pier Carlo Padoan - O ministro das Finanças de Matteo Renzi daria um caráter mais técnico ao governo e revestiria o gabinete com uma credibilidade internacional crucial em um momento de instabilidade. Ex-vice-secretário da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Padoan, de 66 anos, também serviria para acalmar o mercado, que teme o agravamento da crise bancária italiana.   

Ao contrário de Mario Monti, que estreou na política diretamente no cargo de premier, ele tem experiência de quase três anos no Ministério das Finanças, mas pode ser pouco para conduzir as complicadas negociações para a aprovação da lei eleitoral que provavelmente levará o país às urnas em 2017. O ministro não pertence a nenhum partido, mas mantém boas relações com Renzi e foi decisivo para o sucesso de algumas de suas reformas.   

Pietro Grasso - Mais experiente de todos, o presidente do Senado seria uma escolha mais institucional e neutra. Na hierarquia do Estado, o chefe da Câmara Alta está abaixo apenas da Presidência da República e é a quem costuma ser confiada a mediação em crises complexas.   

Membro do PD, Grasso, de 71 anos, poderia ser mais palatável à oposição, que certamente ficará furiosa se Mattarella não convocar eleições. Além disso, como não é um "renziano", conseguiria unificar o Partido Democrático.   

Se for encarregado pelo presidente, Grasso provavelmente chefiará um governo de objetivo específico, ou seja, a aprovação da lei eleitoral para levar o país ao voto o mais rápido possível. Pesa contra ele justamente a delicadeza da crise política na Itália: em um momento de turbulência, talvez Mattarella não considere ideal mexer no equilíbrio do Senado.   

Dario Franceschini - Ao contrário de Padoan e Grasso, o ministro dos Bens Culturais e do Turismo daria tons políticos a um eventual governo. Aos 58 anos, Franceschini já foi deputado em quatro mandatos, secretário do PD e ministro para as Relações com o Parlamento - talvez a pasta mais política de todas - no gabinete de Enrico Letta (2013-2014).   

Com a chegada de Renzi ao poder, foi deslocado para o Ministério dos Bens Culturais, onde faz uma gestão bem avaliada.   

Franceschini mantém um relacionamento bastante próximo com Mattarella e agradaria a diversas alas do Partido Democrático, mas não tanto aos "renzianos". Ele é o principal expoente da "AreaDem", maior corrente do PD no Parlamento.   

Graziano Delrio - Com 56 anos, o ministro de Infraestrutura e Transportes é o mais jovem dos quatro e o mais próximo a Renzi.   

Prefeito de Reggio Emilia entre 2004 e 2013 e ex-presidente da Associação Nacional das Prefeituras Italianas (Anci), Delrio também tem ampla experiência política.   

Foi ministro de Assuntos Regionais no governo Letta e subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros no primeiro ano do mandato de Renzi. Em 2015, assumiu a pasta de Infraestrutura e Transportes, responsável pelas obras da Expo Milão, megaevento realizado na capital da Lombardia no ano passado.   

Com perfil mediador, sua indicação seria uma garantia de manutenção das políticas do atual primeiro-ministro. Pesa contra ele justamente a proximidade com Renzi, de quem é um dos aliados mais fiéis no PD. Apesar de manter o controle da sigla, o premier enfrenta resistência de suas correntes mais à esquerda.   

Tanto Delrio quanto Franceschini poderiam guiar um governo até eleições antecipadas em 2017, mas também teriam condições de, eventualmente, chegar ao fim da legislatura. (ANSA)
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