Bolívia prende diretor da Lamia e mais 2 funcionários

SÃO PAULO, 07 DEZ (ANSA) - As autoridades bolivianas prenderam na noite da última terça-feira (6) o diretor-geral da empresa Lamia, dona do avião que caiu com a delegação da Chapecoense em Medellín, na Colômbia, deixando 71 mortos.   


Gustavo Vargas já foi piloto do presidente Evo Morales e é pai de um funcionário de alto escalão exonerado da Direção Geral de Aeronáutica Civil (Dgac), órgão responsável por autorizar a operação de companhias aéreas no país. Na semana passada, ele havia reconhecido que a aeronave precisava ter feito uma escala entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, já que o trajeto do voo era igual à autonomia do jato.   


Também foram detidos o diretor de manutenção da Lamia, Antonio Bedregal, e uma funcionária do setor administrativo. A Justiça boliviana investiga a empresa para saber como ela conseguiu licença para operar. Segundo o ministro de Obras Públicas Milton Claros, há indícios de tráfico de influência.   


As autoridades da Bolívia ainda pediram a deportação de Celia Castedo Monasterio, funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (Aasana) que revisou o plano de voo do avião da Chapecoense. Alegando perseguições, Monasterio entrou com um pedido de refúgio no Brasil e recebeu autorização provisória para permanecer no país.   


Ela havia apontado problemas no plano de voo, mas ainda assim a aeronave teve aval para decolar do aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, rumo a Medellín. Por conta disso, a funcionária foi denunciada pela Aasana por "não cumprimento de deveres" e "atentado contra a segurança dos transportes".   


Fundada em 2009, no estado de Mérida, na Venezuela, a Lamia começou a operar apenas em 2014 e pouco depois transferiu sua sede para a Bolívia. Sua especialidade eram voos fretados para times de futebol da América Latina, já que oferecia flexibilidade para pousar em aeroportos remotos. O avião que caiu com a Chape era o único de sua frota em condições de operar.   


Em novembro, a companhia levou a seleção da Argentina de Belo Horizonte a Buenos Aires e, segundo a imprensa local, aterrissou em seu destino com combustível para voar por apenas mais 18 minutos. (ANSA)
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