Citando Fernando Sabino, Renzi pede reflexão em seu partido

ROMA, 12 DEZ (ANSA) - O ex-primeiro-ministro italiano Matteo Renzi afirmou em reunião nesta segunda-feira (12) aos seus correligionários do Partido Democrático (PD) que, após perder o referendo constitucional no dia 4 de dezembro, esse é um momento de reflexão.   

Para isso, citou um poema do brasileiro Fernando Sabino. "De tudo ficaram três coisas: a certeza de que estamos começando, a certeza de que é preciso continuar e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Por isso, precisamos fazer da interrupção um novo caminho, da queda, um passo de dança, do medo, uma escada, do sonho, uma ponte e da procura,um encontro.   

Isso é o PD", disse o ex-premier sob aplausos.   

Renzi ainda ressaltou que tanto ele como os membros da sigla "nunca tivemos medo dos debates com as pessoas" e que "muitos dizem que estou me escondendo, mas perante as minhas responsabilidades, eu nunca fugi".   

No encontro, que selou o apoio unânime do PD à nomeação de Paolo Gentiloni como seu sucessor, Renzi ainda pediu que o debate pós-derrota não seja "autorreferencial".   

"Agora, precisamos abrir uma reflexão e fazê-la da maneira mais ampla possível sem ceder a uma representação caricaturista, de que o eleitorado de esquerda não estava nos 40%. O eleitorado de esquerda nunca viu, nem com binóculos, uma votação de 40%. Quem imagina possuir o 'opyright' da esquerda, nunca viu 40% e também nunca viu personagens melhores do que estão aqui hoje", destacou lembrando da quantidade de votos que o "sim" recebeu nas urnas.   

Segundo o ex-líder do governo italiano, se as pessoas vem que a maioria daqueles que votaram contra a reforma constitucional deram um "voto político", "então, os 40% também são".   

"Precisamos entender como sair dessa situação, entender onde a Itália está hoje. Nós pensamos em sair pela via institucional através do Italicum [lei eleitoral] e pelas reformas. Nós tínhamos aquele desenho, mas ele foi rejeitado", acrescentou.   

Renzi ainda aproveitou para dizer que seu trabalho "foi encerrado" e evitou especulações de que poderia tentar ser premier novamente. Ao comentar isso, ele parabenizou o trabalho "gerido com sabedoria e a experiência" pelo presidente Sergio Mattarella.   

O ex-premier anunciou sua renúncia após um referendo sobre a reforma constitucional ter sido rejeitado por 59,11% dos italianos. Como era uma das bases de seu governo, Renzi abriu mão do cargo e o processo de escolha para seu sucessor foi iniciado. (ANSA)
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