Conheça os desafios de Trump e Tillerson na política externa

SÃO PAULO, 13 DEZ (ANSA) - Por Beatriz Farrugia - A partir de 20 de janeiro, o republicano Donald Trump enfrentará uma série de desafios em política externa como novo presidente dos Estados Unidos, alguns deles impostos pela conjuntura internacional, outros escolhidos por ele mesmo como emblemas de seu governo. Desde que venceu as eleições à Casa Branca, em 8 de novembro, o magnata republicano tem prometido mudanças drásticas na política externa norte-americana, como uma reaproximação à Rússia, uma renegociação comercial com a China - além de contatos com Taiwan - uma forte oposição aos acordos climáticos, uma política imigratória restritiva e atitudes duronas contra o Irã.   

"Acho que podemos separar os desafios em dois blocos: os criados pelo contexto internacional e os desafios que Trump está escolhendo encarar", disse à ANSA o professor Geraldo Zahran, da PUC-SP. Essas promessas de Trump foram recebidas com cautela e preocupação pelos parceiros dos EUA, já que algumas decisões podem alterar a regra do jogo internacional e impactar as relações diplomáticas do mundo todo. Mas, todos esses assuntos não dependem exclusivamente de Trump e terão que passar pelas mãos do secretário de Estado, Rex Tillerson, além das agências do governo e do próprio Congresso dos Estados Unidos. Confira 6 hipóteses sobre este cenário: 1)Quais serão os pilares da política externa de Trump? De acordo com o professor de Relações Internacionais da ESPM Heni Ozi Cukier, Trump foi eleito com um discurso composto por três elementos: protecionismo comercial, fortalecimento da identidade norte-americana e política externa isolacionista. Este trio de fatores impactará a política em diferentes camadas, tanto em questões comerciais quanto na atuação de conflitos internacionais. "Em algumas áreas, Trump tem mais mobilidade para atuar, como o controle de imigrantes. Outras são mais difíceis, como a comercial, pois envolvem tratados consolidados", disse Cukier.   

"Não tenho dúvidas que ele adotará medidas contra imigrantes, colocará o Exército na fronteira com o México ou até construirá mesmo o muro, mas, na área comecial, a capacidade de ação é menor", afirmou.   

2)Como será a relação de Trump com seu secretário de Estado? De acordo com especialistas consultados pela ANSA, a resposta para esta pergunta será a chave para entender todo o governo Trump. O recém-nomeado secretário de Estado, Rex Tillerson, CEO da Exxon-Mobil, é amigo das autoridades russas e contrário às políticas ambientais. Em teoria, ele personifica as posições defendidas por Trump durante toda a campanha eleitoral. Mas, na prática, ninguém sabe quem ditará a política externa norte-americana, Tillerson ou Trump. "Provavelmente, Trump se manterá 'autoritário' e será a 'cara' da política externa, justamente por este estilo mandão e sua experiência no mundo dos negócios", comentou Zahran.   

"Sem dúvida, o presidente tem um papel importante na política externa, mas também tem as agências e o Congresso. Desse jeito, não teremos tantas mudanças quanto se acreditava na época da campanha eleitoral", afirmou, por sua vez, o professor Sidney Ferreira Leite, da Universidade Belas Artes. 3)Quais desafios foram dados pela conjuntura internacional e quais foram escolhidos por Trump? Ao assumir a Casa Trump, o republicano terá que lidar com assuntos que já perduram há anos, como a guerra na Síria e a instabilidade no Oriente Médio, o combate ao terrorismo e a imigração. Porém, Trump prometeu reabrir questões que já haviam sido concluídas, como o acordo nuclear com o Irã e a retomada gradual das relações diplomáticas com Cuba, ambos negociados e sancionados durante o mandato de Barack Obama. O magnata também anunciou que não ratificará a Parceria Transpacífico (TPP), revisará as tarifas comerciais com a China e se aproximará da Rússia, medidas totalmente novas na política externa norte-america e cujo impacto ainda não pode ser mensurado. SEGUE (ANSA)
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