Veja os principais desafios de Gentiloni no governo italiano

ROMA, 13 DEZ (ANSA) - Confirmado como novo primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, de 62 anos, terá pela frente uma série de desafios até 2018, quando termina a atual legislatura, isso se a pressão por eleições antecipadas não se tornar insustentável.   

Como chefe de governo, ele precisará negociar com o Parlamento mais dividido da história republicana do país, contando com uma maioria exígua no Senado - seu gabinete só existe graças ao apoio de uma pequena legenda de centro-direita, apesar de o premier fazer parte de uma sigla de centro-esquerda, o Partido Democrático (PD).   

Veja abaixo os temas mais quentes que serão enfrentados por Gentiloni nos próximos meses: Lei eleitoral - O maior desafio do primeiro-ministro será aprovar uma nova lei eleitoral. Atualmente, a Itália conta com dois sistemas distintos para a Câmara dos Deputados e o Senado.   

Para a primeira, vigora um modelo que prevê um "prêmio de maioria" ao partido mais votado e eleição em lista parcialmente fechada. Para o segundo, vale o "proporcional puro", ou seja, as cadeiras são distribuídas de acordo com o percentual obtido por cada sigla e seguindo a ordem dos candidatos mais votados.   

No entanto, esses modelos proporcionariam composições muito diferentes nos dois ramos do Parlamento e dificilmente dariam as condições para a formação de uma maioria no Senado. Além disso, a lei eleitoral da Câmara é alvo de uma ação de ilegitimidade na Corte Constitucional, que se pronunciará sobre o caso em 24 de janeiro.   

O presidente Sergio Mattarella já disse que o país só irá às urnas quando tiver leis eleitorais homogêneas.   

Terremoto - Como premier, Gentiloni também deverá liderar o programa de reconstrução das áreas do centro do país atingidas por terremotos no segundo semestre. Iniciada em 24 de agosto, a série de tremores deixou 300 vítimas, sendo a maioria delas em Amatrice.   

O governo de Matteo Renzi estimava que a recuperação das cidades afetadas custaria pelo menos 7 bilhões de euros. O primeiro-ministro também precisará promover um amplo projeto de prevenção contra sismos para evitar que novos desastres do tipo se repitam.   

Imigração - A crise migratória não aparece mais com tanto destaque na cobertura da imprensa, porém continua provocando tragédias no Mediterrâneo. Segundo o projeto "Missing Migrants" ("Imigrantes Desaparecidos"), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 4,7 mil pessoas já morreram em 2016 durante travessias rumo à Europa. Em 2015, foram 3,5 mil mortes.   

Além disso, a Itália ultrapassou a Grécia como principal porta de entrada para imigrantes ilegais na União Europeia, tendo recebido mais de 176 mil deslocados apenas neste ano. Para lidar com a emergência, Gentiloni nomeou um novo ministro do Interior, Marco Minniti, já que Angelino Alfano estava desgastado após três anos e meio no comando da pasta.   

Bancos - Do ponto de vista econômico, o principal desafio do premier será evitar a desestabilização do sistema bancário italiano. O banco em pior situação é o Monte dei Paschi di Siena (MPS), tido como o mais antigo do mundo ainda em atividade e que está à beira da insolvência devido à elevada presença de créditos deteriorados em sua carteira.   

A instituição planeja realizar um aumento de capital até 31 de dezembro para arrecadar ao menos 5 bilhões de euros, mas há dúvidas no mercado se a meta será atingida. Se isso não acontecer, especula-se que o governo intervirá com um decreto para evitar a falência do MPS, que poderia contaminar todo o sistema. (ANSA)
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